‘Made in space’: envio de carga para órbita cairá mais de 90%
15 Jul, 2026
O custo de enviar carga para a órbita baixa da Terra pode cair mais de 90% até 2040, abrindo caminho potencialmente para novas indústrias, desde pesquisas em gravidade zero até a manufatura no espaço, segundo um estudo divulgado nesta terça-feira pela Universidade de Cambridge. Pesquisadores afirmaram que o custo médio para lançar um quilograma de carga útil na órbita baixa da Terra era de US$ 3.868 em 2025. Esse valor poderia cair mais de 58%, para US$ 1.569 até 2030, e chegar a apenas US$ 273 até 2040. Custos de lançamento mais baixos poderiam impulsionar atividades comerciais, incluindo pesquisas em gravidade zero, turismo orbital e a fabricação de produtos no espaço para uso na Terra — como cabos de fibra óptica e órgãos bioimpressos em 3D — afirmaram os pesquisadores. Eles também apontaram possibilidades de longo prazo, como a geração de energia solar em órbita, a mineração de asteroides e a produção de combustível, alimentos e infraestrutura em órbita ou na Lua. O estudo, publicado na revista PNAS Nexus , analisou mais de 4.400 lançamentos realizados por vários países entre 1960 e 2025 — o que os pesquisadores descreveram como o maior conjunto de dados globais sobre lançamentos de foguetes já reunido até hoje. A pesquisa constatou que o custo médio para alcançar a órbita caiu cerca de 96% ao longo desse período, partindo de mais de US$ 87 mil por quilograma em 1960. A cada duplicação da carga útil acumulada, o custo médio de envio de um quilograma para a órbita reduzia-se em 21,2%. Queda no custo do frete em órbita foi mais rápida que nos navios a vapor Essa taxa foi mais acelerada do que a queda nos custos de frete durante a revolução dos navios a vapor no século 19, quando os custos de transporte caíram cerca de 15,5% a cada duplicação de volumes de carga como trigo e algodão, segundo os pesquisadores. Também superou ligeiramente a taxa de queda do custo da tecnologia solar fotovoltaica à medida que a capacidade instalada se expandia. “O custo da tecnologia de lançamento espacial está caindo mais rapidamente agora do que durante uma das maiores revoluções nos transportes da história”, disse Alessio Terzi, da Escola Bennett de Políticas Públicas da Universidade de Cambridge, que liderou o estudo. “Os navios a vapor reduziram custos graças ao crescimento explosivo do comércio global. A tecnologia espacial, por outro lado, alcançou quedas ainda mais acentuadas em uma escala muito menor. Isso sugere que há grande margem para novas reduções de custos e que a indústria pode estar prestes a vivenciar um boom econômico comparável”, afirmou Terzi. A quantidade de carga útil lançada em órbita aumentou drasticamente desde 2020, crescendo cerca de 31% ao ano, em comparação com uma taxa média de crescimento anual de 4% entre 2000 e 2019. Cerca de 4,9 mil toneladas foram lançadas em 2025, segundo o estudo. Terzi e o coautor Francesco Nicoli, do Instituto Politécnico de Turim, preveem que a capacidade anual poderá atingir cerca de 9,1 mil toneladas até 2030 e 32 mil toneladas até 2040. Com informações da Agência Xinhua O post ‘Made in space’: envio de carga para órbita cairá mais de 90% apareceu primeiro em Monitor Mercantil .