Brasil se alinha à China em inteligência artificial e abraça código aberto
17 Jul, 2026
Brasil se alinha à China em inteligência artificial e abraça código aberto Resumo A ministra Esther Dweck (Gestão e Inovação) assinou pelo Brasil como um dos 30 países fundadores da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial. Nas fotos de família em Xangai, que será a sede da WAICO, ela e a ex-presidente Dilma Rousseff, hoje no Novo Banco de Desenvolvimento, o Banco do Brics, posaram com o presidente Xi Jinping e o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, entre outros. Em discurso, Xi defendeu "ajudar os países do Sul Global a superar a exclusão digital e evitar a criação de novas injustiças históricas no campo da IA". Propôs "aproveitar esta rara oportunidade histórica, incentivar o código aberto e o compartilhamento". E argumentou que "o desenvolvimento da IA não deve ser ação de um único país, mas uma sinfonia global". O último comentário pode ser entendido como referência aos EUA ou, como parece mais adequado agora, à própria China. Desde o Momento DeepSeek, um ano e meio atrás, os modelos chineses de código aberto vêm alcançando o desempenho das ofertas americanas em código fechado de OpenAI, Anthropic e outras. Coincidindo com o anúncio da WAICO, uma startup chinesa lançou uma nova versão do Kimi, que colou de novo nos modelos americanos mais recentes. Em resposta ao UOL, a porta-voz Mao Ning, do Ministério das Relações Exteriores, que preparou a nova entidade, afirmou: "A IA de código aberto é um patrimônio da humanidade. A China se empenha em fornecer bens públicos internacionais para ajudar os países do Sul Global a aprimorar suas capacidades em IA. Os modelos de código aberto, como DeepSeek e Qwen, tornaram a IA significativamente mais acessível". Antes mesmo da assinatura por Dweck, a adoção de IA chinesa em código aberto já vinha se espalhando no Brasil, caso da Prefeitura do Rio de Janeiro, que lançou um modelo com desempenho de ponta, o Rio 3.5 Open 397B, baseado no Qwen. Foi no mesmo dia em que Washington vetou o acesso internacional a um novo modelo da Anthropic, assustando clientes —e revertendo a decisão dias depois. Não é só o Rio. Também empresas indianas, europeias como a Siemens e americanas como a Airbnb vêm abraçando o código aberto chinês. Este permite baixar, adaptar e usar IA sem transferir dados ao modelo original, mantendo soberania. Já a Anthropic atua até com funcionários em operações militares dos EUA e a OpenAI negocia estatização parcial, com transferência de ações ao governo americano. Não é só em modelos de IA que o avanço chinês vem se acelerando. Em Xangai, paralelamente ao lançamento da WAICO, acontece um misto de feira e conferência em que a Huawei abre ao público pela primeira vez o Atlas 950 SuperPoD. É um agrupamento de chips para treinamento e operação de IA que, segundo a empresa chinesa, supera aquele em preparação pela americana Nvidia. Mais importante, ao menos em relação ao Brasil, a Bytedance já está com as obras de seu datacenter em andamento no Ceará, após negociação iniciada há mais de ano. É a empresa do TikTok e do Doubao, a principal IA chinesa de código fechado. A americana Bloomberg foi até lá e descreve como "cabeça de praia", expressão militar, para a inteligência artificial expandir seu alcance global. A região é ligada por cabo submarino à África e à Ásia, sem passar por EUA e Europa, e oferece água e energia renovável em abundância. Ganhou prioridade estratégica depois dos ataques recentes a datacenters no Oriente Médio, em especial nos Emirados Árabes Unidos, aposta anterior. Daí também a maior atenção americana ao Brasil. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.