Trocar geração Z por IA pode custar caro às empresas no futuro, alerta pesquisador do MIT
19 Jul, 2026
Trocar geração Z por IA pode custar caro às empresas no futuro, alerta pesquisador do MIT Andrew McAfee argumenta que cortar vagas de início de carreira elimina o funil que forma líderes e afasta a geração mais fluente em IA; IBM, Salesforce e Amazon vão na contramão e ampliam contratações O alerta vem de Andrew McAfee, cientista pesquisador do MIT e colíder da Initiative on the Digital Economy (Iniciativa sobre a Economia Digital) da instituição. Cortar o talento na fonte, argumenta ele, não apenas encolhe a força de trabalho de hoje — desorganiza o funil que produz os líderes de amanhã. "De que outra forma as pessoas vão aprender a fazer o trabalho, senão aprendendo no próprio trabalho, em um regime de treinamento e aprendizagem?", disse McAfee à Harvard Business Review em abril. "É assim que se aprende a fazer trabalho intelectual difícil: ajudando alguém que é bom nisso com as tarefas rotineiras. E quando colocamos automação demais, rápido demais, perdemos essa escada de aprendizagem." As consequências vão além das lacunas de treinamento. Ao deixar de lado a contratação de iniciantes, as empresas também correm o risco de perder uma vantagem competitiva fundamental: a fluência da geração Z em IA. Cerca de 76% da geração Z relataram usar uma ferramenta de IA autônoma — o índice mais alto entre todas as gerações, segundo um estudo da Deloitte de novembro de 2025. Essa familiaridade, disse McAfee, os torna especialmente valiosos em um momento em que as empresas correm para integrar a IA às suas operações. "Há uma grande queda demográfica. À medida que envelhecemos, tendemos a ficar mais presos aos nossos hábitos e menos dispostos a experimentar novidades malucas como a IA", acrescentou McAfee, que também é cofundador da Workhelix, startup que ajuda empresas a entender o retorno sobre investimento em IA. "Então, se você está reduzindo suas contratações de nível inicial, provavelmente está sacrificando oportunidades futuras de aprendizado e os profissionais qualificados do futuro. Também está fechando a torneira dos usuários mais entusiasmados e intensivos de IA na sua organização." Geração Z, que já enfrenta um mercado de trabalho difícil, está mais pessimista do que nunca Para muitos jovens, o alerta de McAfee talvez já esteja se concretizando, com o aperto do mercado de trabalho. As vagas publicadas no Handshake, plataforma americana voltada a posições de início de carreira, caíram 2% em relação ao ano anterior e estão 12% abaixo dos níveis pré-pandemia, segundo seu relatório Class of 2026 Network Trends. Enquanto isso, a taxa de desemprego entre graduados universitários nos Estados Unidos de 22 a 27 anos está em 5,6%, segundo o Federal Reserve de Nova York. Com a temporada de formaturas, a ansiedade cresceu. Quase nove em cada dez formandos da turma de 2026 temem que a IA ou a automação substituam empregos de nível inicial — um salto expressivo em relação aos 64% de 2025, segundo o Monster. Alguns líderes empresariais amplificaram esses temores. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, por exemplo, repetiu por muito tempo — mas depois recuou — previsões de que a IA poderia eliminar até metade de todos os empregos iniciais de escritório. A dinâmica é especialmente notável porque as funções de nível inicial costumam ser a mão de obra mais barata que as empresas podem contratar — e, como argumentou McAfee, cortá-las ameaça tanto a eficiência de custos quanto o desenvolvimento da força de trabalho no longo prazo. Ainda assim, dados históricos sugerem que os trabalhadores jovens podem ser mais resilientes do que imaginam. Uma análise recente do Goldman Sachs constatou que jovens com diploma universitário tendem a sofrer perdas de renda cerca de metade menores do que as de outros trabalhadores demitidos, na década seguinte à perda do emprego. Eles também têm mais probabilidade de trocar de ocupação e migrar para funções que complementam as novas tecnologias, em vez de competir com elas. "Ao contrário das preocupações atuais de que os custos da IA recairão com força especial sobre os recém-formados", diz o relatório, "os trabalhadores mais jovens historicamente conseguiram se ajustar com mais flexibilidade, por meio de mobilidade ocupacional e aprimoramento de habilidades." Algumas empresas de tecnologia estão redobrando a aposta em talentos em início de carreira Nem toda empresa está recuando. Alguns grandes empregadores estão intensificando a contratação de iniciantes, apostando que profissionais em começo de carreira serão essenciais para construir — e escalar — a IA. A IBM, por exemplo, disse que triplicaria suas contratações de nível inicial, em parte para desenvolver habilidades mais duradouras e gerar mais valor no longo prazo. "As pessoas estão falando em demissões ou congelamento de contratações, mas eu quero dizer que somos o oposto", afirmou o CEO da IBM, Arvind Krishna, em outubro de 2025. "Espero que provavelmente contrataremos mais gente recém-saída da universidade nos próximos 12 meses do que nos últimos anos, então vocês vão ver isso acontecer." Em abril, o CEO da Salesforce, Marc Benioff, anunciou que sua empresa está contratando mil recém-formados e estagiários para ajudar a construir seus sistemas de IA. "Vocês têm razão, disseram que a IA mataria os empregos de nível inicial", escreveu ele no X. "Enquanto isso, esses formandos e estagiários estão construindo a IA — tocando o Agentforce e o Headless360 na Salesforce." E até a Amazon — que tem sido alvo de críticas por demitir milhares de trabalhadores nos últimos anos — está mantendo seu funil de talentos jovens. A gigante de tecnologia planeja contratar 11 mil estagiários de engenharia de software em 2026, em linha com os anos anteriores, segundo o Business Insider. "Posso dizer que estamos contratando tantos desenvolvedores de software quanto sempre contratamos dentro da Amazon", disse o CEO da AWS, Matt Garman. "E, na verdade, vejo essa demanda realmente acelerando." Essa história foi publicada originalmente em Fortune.com Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado por nossa equipe editorial.Saiba mais em nossa Política de IA.