Charutos e lojas de grife: Casares gastou R$1 milhão do São Paulo
23 Jul, 2026
Charutos e lojas de grife: Casares gastou R$1 milhão do São Paulo Reprodução/ Instagram O ex-presidente do São Paulo , Júlio Casares , gastou cerca de 1 milhão de reais com o cartão corporativo do clube durante 5 anos de gestão, entre 2021 e 2025. Em reportagem divulgada, nesta quinta-feira (23), o Ge teve acesso ao extrato do conta durante todo período. Entre os gastos realizados por Casares com dinheiro do São Paulo estão casas de charutaria, lojas e restaurantes de luxo, despesas médicas e salão de beleza. De acordo com a publicação, o ex-mandatário devolveu R$ 560.401,74 em novembro do ano passado, quando já haviam sido reveladas denúncias contra a administração do clube. Casares, que sofreu um processo de impeachment e renunciou ao cargo no começo de 2026, passou a ser investigado por furto qualificado e lavagem de dinheiro por uma força-tarefa entre Ministério Público e Polícia Civil , que investiga irregularidades no clube. No entanto, os gastos com cartão corporativo não estão sendo apurados por essa investigação. De acordo com o inquérito, o ex-presidente é suspeito de se apropriar de cerca de R$11 milhões dos cofres da instituição, sem justificar a finalidade dos saques. Casares ainda sofre um processo administrativo interno que pode expulsá-lo do quadro associativo. Julio Casares é presidente do São Paulo Reprodução/X Ainda segundo a publicação do Ge, não havia uma regra sobre o uso do cartão corporativo no São Paulo até dezembro do ano passado. A reportagem do iG entrou em contato com o advogado Bruno Borragine, representante jurídico de Júlio Casares, que se manifestou através de nota: "Mais uma vez, esse assunto referente ao uso do cartão corporativo está sendo colocado de forma reiterada em pauta. Os valores por ele restituído são aqueles suscetíveis a interpretação do uso do cartão de forma particular, em que pese o cartão corporativo tenha sido utilizado, única e exclusivamente, no exercício inerente à função de Julio Casares, enquanto Presidente do São Paulo Futebol Clube. Quanto aos demais valores, tratam-se de gastos operacionais, do dia-a-dia, que o setor financeiro tem os registros. Considerando que não existia, no âmbito do São Paulo Futebol Clube, normas referentes ao uso do cartão corporativo, Julio Casares propôs norma ao Compliance, que fora aprovada no Conselho de Administração sobre o uso do cartão corporativo e o eventual reembolso. Aliás, por este motivo, inclusive, é que se reitera e solicita ao São Paulo Futebol Clube o demonstrativo do uso do cartão por outras gestões anteriores. Relembrando que o balanço de 2025, em que houve a quitação dos gastos da Diretoria Financeira, apresentou superávit de de 57 milhões, redução da dívida em 110 milhões e o faturamento recorde de 1,07 bilhão. Por fim, registra-se que Julio Casares dedicava-se, exclusivamente, ao São Paulo Futebol Clube, com pauta e agenda de reuniões e viagens exaustiva, justificando o volume do uso do cartão corporativo, no exercício inerente à função". Julio Casares - SPFC Reprodução O que diz o São Paulo O São Paulo também se manifestou. De acordo com o clube, caso seja comprovado que o cartão corporativo foi utilizado para fins pessoais, a instituição buscará o ressarcimento. "O valor devolvido ao São Paulo Futebol Clube foi estabelecido por Júlio Casares, presidente do clube à época. Ao assumir o clube em janeiro deste ano, Harry Massis determinou a criação de uma política para o uso do cartão corporativo do clube. Desde então, todas as faturas anteriores estão sendo analisadas. Caso seja comprovado que o cartão corporativo foi utilizado para fins pessoais, a instituição buscará o ressarcimento", diz a nota.