Silvio Santos foi o primeiro influenciador brasileiro, diz fundador da agência Play9
25 Jul, 2026
Se a influenciadora Virginia Fonseca foi anunciada como repórter especial da Copa do Mundo no Domingão com Huck da TV Globo, isso seria impensável há algumas Copas. Isso porque o ecossistema comunicacional passou por um "salto quântico" nos últimos 15 anos, afirma o jornalista e fundador da Play9, grande agência de influência digital, João Pedro Paes Leme. Foi envolvendo influenciadores em projetos de jornalismo esportivo, inclusive, que João Pedro deu um pontapé no mercado de influência. Em 2011, apostou no youtuber Felipe Neto, que já era um fenômeno devido ao canal "Não Faz Sentido", para um quadro humorístico no Esporte Espetacular. Paes Leme discorre sobre essa e outras mudanças na dinâmica da comunicação social no livro "A Era da Influência", lançado pela Sextante. Em entrevista à Folha, o autor diz que já sentia a inquietação ao perceber, no início da década de 2010, que os influenciadores —na época chamados apenas de "youtubers"— despontavam como uma potência à parte porque tinham seus próprios canais de comunicação. "O primeiro youtuber que existiu foi o Silvio Santos, porque ele fez o mesmo: trabalhou na Globo e, quando precisava de mais espaço e viu que não ia conseguir, abriu o próprio canal. Mas ele precisou de uma concessão governamental, né?", brinca. "E hoje é muito mais simples. Você leva exatamente cinco minutos para abrir sua conta no Instagram, no TikTok ou no YouTube." O jornalista diz que os veículos de mídia tradicional, como emissoras de TV, rádio, jornais e revistas, demoraram a perceber essa mudança. Ele avalia que foi só durante a pandemia que os veículos entenderam que poderiam ocupar também espaços fora do próprio ecossistema. "Quando se abriram para um sistema colaborativo em relação ao que as redes sociais e os criadores podem oferecer, teve um salto muito grande." Paes Leme deixou a direção de esportes da TV Globo em 2016 e fundou a Play9, agência que reúne nativos digitais como Felipe Neto e Felipe Castanhari e criadores que vieram de veículos de mídia tradicional, como Fátima Bernardes, Gabriela Prioli e Isabela Boscov, entre outros. "Quando você olha a soma de audiência de alguns influenciadores, é absolutamente comparável com o que uma emissora tem." Por causa dessa audiência, diz Paes Leme, vemos cada vez mais pessoas compartilhando seu dia a dia nas redes sociais, querendo virar influenciadoras. Na opinião dele, entretanto, todo mundo já é "meio influenciador", pois já cria conteúdo. Ele aposta na geração alfa, nascida a partir de 2010, a primeira que já conviveu com o celular em todos os lugares. "Dificilmente essa pessoa não vai ser protagonista e contadora de histórias." Para quem quer se profissionalizar como criador de conteúdo, ele afirma que há dois meios de monetização: anúncios em parceria com marcas ou pagamento direto, como venda de cursos, ferramentas de apoio de seguidores e clubes exclusivos, entre outros. Ainda assim, não é todo mundo que se aventurar por esse meio que conseguirá os milhões de seguidores de Virginia do dia para a noite. Segundo o empresário, o mais importante no mercado de influência é a tríade autenticidade, relevância e propósito. "Nesse momento, estamos amadurecendo o mercado a ponto de essa pirâmide da influência encontrar cada vez menos esses megainfluenciadores generalistas e cada vez mais os grandes especialistas em temas, os micro e nanoinfluenciadores."