Nasa revela nova representação da Terra baseada em 1 bilhão de medições feitas por satélites ao longo de 15 anos
26 Jul, 2026
Nasa revela nova representação da Terra baseada em 1 bilhão de medições feitas por satélites ao longo de 15 anos Modelo mostra o geoide do planeta, que representa o comportamento do campo gravitacional da Terra e não seu formato físico A Nasa divulgou uma nova representação tridimensional da Terra que revela como o campo gravitacional do planeta varia de acordo com a distribuição de sua massa. A imagem, que chamou atenção pelo formato irregular, não retrata a aparência real da Terra, mas sim o chamado geoide, um modelo científico construído a partir de mais de 1 bilhão de observações feitas por 19 satélites ao longo de 15 anos. Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra O geoide representa a superfície que os oceanos teriam caso a água permanecesse completamente imóvel, sem influência de marés, ventos ou correntes marítimas. Nesse modelo, o que determina a forma da Terra é a distribuição de massas em seu interior, como rochas, magma e água subterrânea. Para tornar essas diferenças perceptíveis, a imagem amplia as variações verticais entre 7 mil e 10 mil vezes. Na prática, ela destaca pequenas alterações na força da gravidade ao redor do planeta. "Como a distribuição dos materiais nas profundezas da Terra varia, seu campo gravitacional tem colinas e vales", explicou Michael Watkins, cientista do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa, em estudo publicado sobre o tema. No mapa, regiões com maior concentração de massa, como a Cordilheira dos Andes e o Himalaia, aparecem em tons avermelhados por exercerem maior atração gravitacional. Já áreas de menor densidade, como partes do Oceano Índico e da bacia do Rio Congo, são representadas em azul. A representação foi produzida com o modelo global GOCO06, que reúne dados das missões GOCE, da Agência Espacial Europeia (ESA), e GRACE, desenvolvida pela Nasa em parceria com o Centro Aeroespacial Alemão. Segundo Watkins, o campo gravitacional terrestre não é estático e sofre alterações constantes, principalmente por causa do deslocamento da água na superfície do planeta. "O campo gravitacional da Terra muda de mês para mês, principalmente devido à massa da água se movendo sobre a superfície", afirmou o pesquisador. A missão GRACE utilizou dois satélites que voavam separados por cerca de 220 quilômetros para detectar variações extremamente pequenas na gravidade, permitindo acompanhar mudanças provocadas por chuvas, geleiras, águas subterrâneas e oceanos. O levantamento também mostrou que o geoide apresenta diferenças de altitude em relação ao nível médio do mar que variam de aproximadamente 85 metros acima, na região da Islândia, a 106 metros abaixo, no sul da Índia. Além de ajudar a compreender a estrutura interna da Terra, esse tipo de mapeamento é utilizado para monitorar o ciclo da água, estimar reservas subterrâneas, acompanhar o derretimento de geleiras e medir com mais precisão a elevação do nível dos oceanos ao longo do tempo.