Cori descarta novo projeto de reforma do Estatuto do Corinthians e não discute memorando da SAFiel

admin
28 Jul, 2026
Cori descarta novo projeto de reforma do Estatuto do Corinthians e não discute memorando da SAFiel O Conselho de Orientação do Corinthians (Cori) rejeitou, na noite desta segunda-feira, analisar o novo projeto de reforma do Estatuto do clube, elaborado pela comissão responsável e encaminhado pelo presidente do Conselho Deliberativo (CD), Romeu Tuma Júnior, por meio de ofício no último dia 17. O pedido de reunião havia sido alvo de reunião entre Tuma e Miguel Marques, presidente do Cori, na última semana. A nova proposta incluía dez alterações no texto do Estatuto, aprovadas pelo CD nos últimos meses (relembre ao final da matéria), além de adequações consideradas necessárias devido à sanção da Lei Geral do Esporte, em 2023. Dessa forma, não há mais perspectiva de mudanças nas normas do clube a curto prazo, e as eleições do fim do ano deverão ocorrer sob as regras atuais. Segundo apurou o Meu Timão, inicialmente, o Cori iria deliberar um ofício anterior, também enviado por Tuma, que solicitava a marcação de uma reunião do órgão para debater a reforma estatutária. Mas o tema foi considerado vencido, devido à proposta enviada posteriormente. O mérito do novo projeto, no entanto, não chegou a ser discutido. Diversos membros do Cori apontaram um suposto impedimento estatutário para a reforma voltar a ser pauta de deliberação no Conselho, recorrendo ao parágrafo único do artigo 81 do Estatuto vigente, que determina o seguinte: Parágrafo Único: Qualquer assunto resolvido pelo CD, desde que acompanhado de parecer do órgão competente, só poderá ser renovado perante o CD, após o decurso de um ano. De acordo com esse argumento, proposto inicialmente pelo conselheiro Alexandre Husni e apoiado posteriormente por outros, como Guilherme Strenger, Felipe Ezabella e Ademir Benedito, tal dispositivo proibiria que a reforma estatutária pudesse ser novamente debatida neste momento, já que o CD se manifestou sobre o tema em votações durante o primeiro semestre, sendo a última em 18 de maio. Logo, o tema só poderia voltar a ser pautado no órgão a partir de 18 de maio de 2027. Ainda segundo apurado, Tuma, que estava presente na reunião, tentou rebater essa tese, alegando que, como a última convocação de AG estava suspensa na Justiça, por meio de liminar, e com isso todo o rito que levou a essa convocação estaria, igualmente, suspenso, permitindo a proposição de um novo processo de debates, desde seu início. No entanto, as alegações não prosperaram. O Meu Timão procurou o presidente do CD, que confirmou a presença na reunião e as informações apuradas pela redação. Segundo ele, a intenção do debate era buscar um consenso sobre o assunto, que estava em pauta há três anos e cujas idas e vindas, inclusive na Justiça, estariam gerando desgaste institucional no Corinthians. "Minha ideia era que houvesse um novo debate sobre a reforma, obviamente de forma breve. Eu acho que, dessa forma, não haveria desrespeito à decisão judicial, porque seria uma nova reforma. Os temas seriam os mesmos, até porque vários têm correspondência com a Lei Geral do Esporte, mas era uma nova reforma. Eu acreditava que poderia haver um entendimento para superarmos as divergências. Há muita tristeza do sócio e do torcedor, pois é um trabalho de três anos", declarou, esclarecendo em seguida que, agora, aguardará a decisão em definitivo da Justiça sobre a liminar concedida em abril suspendendo a última AG convocada. "Como não foi possível um acordo, e os autores da ação não irão desistir, irei aguardar o julgamento do mérito da ação. Se decidirem pela legalidade de todo o processo, poderemos avançar de onde paramos em junho. Enquanto isso, não vou tentar mais, nem responder a provocações que não ajudam o Corinthians de forma alguma. Fiz o possível, mas infelizmente não conseguimos", concluiu. Outros assuntos Além dos debates sobre a reforma do Estatuto alvinegro, outras discussões fizeram parte da pauta do Cori nesta segunda-feira. Uma delas foi a aprovação do desligamento do ex-presidente Roberto de Andrade da composição do órgão. Ele era membro nato do Cori e teve sua saída deliberada, devido a faltas injustificadas em reuniões anteriores. Outro tema foi levado por Tuma, que o propôs para futuras reuniões. O presidente do CD sugeriu que uma reunião fosse marcada para debater a situação financeira do Corinthians, apontando o risco de insolvência do clube devido às dificuldades apresentadas recentemente. Não houve deliberação sobre essa sugestão. Por fim, já ao final do encontro, o Cori passou a contar com a presença do presidente Osmar Stabile, que pediu aos membros do órgão que deliberassem sobre o memorando não vinculante, cuja versão atualizada foi apresentada pelo projeto SAFiel em maio. A sugestão, porém, foi rejeitada, com a justificativa de que o tema não poderia ser parte da discussão no item "Várias" da ordem do dia. Relembre quais foram os dez destaques do projeto de reforma do Estatuto aprovados pelo CD - Associado de futebol (Fiel Torcedor): direito de voto já para 2026 - Composição do Conselho de Ética: eleição via Assembleia Geral - Período de carência para votar: redução para três anos - Sistema eleitoral para o Conselho Deliberativo: candidaturas individuais - Eleição de presidente e vices: instituição do sistema de dois turnos - Composição do Conselho Deliberativo: redução para 200 membros (150 eleitos e 50 vitalícios) - Gestão do Conselho Deliberativo: garantia de independência funcional - Membros natos do Cori: limitação aos últimos cinco ex-presidentes do CD e diretoria - Periodicidade dos balancetes: mudança para prazo trimestral - Reeleição do atual presidente (regra de transição): permitida.