Lula nega querer confusão com China e EUA: ‘não sou louco’
30 Jul, 2026
O presidente também chamou a atenção para o setor privado “que não investe” em pesquisa no Brasil, ao contrário do setor público. Por Redação – do Rio de Janeiro Na abertura da 78a Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Niterói (RJ), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ressaltou a relevância de investimentos em pesquisa e inovação e apontou para a dominância exercida por EUA e China no setor tecnológico. Lula, em seu pronunciamento, falou da dominância de Estados Unidos e China em temas centrais ao desenvolvimento tecnológico, como inteligência artificial e terras raras. Lula destaca-se no momento que antecede o início da campanha eleitoral O presidente também chamou a atenção para o setor privado “que não investe” em pesquisa no Brasil, ao contrário do setor público. Lula acrescentou, ainda, que “se não fosse” a pesquisa, não existiriam, por exemplo, o biodiesel e o pré-sal. — Precisamos ter pontes para o saber. Ao investir na educação teremos reflexos na saúde e na segurança. Todos nós devemos refletir muito no momento de exercer a cidadania — pontuou. Universidades O presidente também mencionou que seu governo foi o responsável “por fazer mais universidades” no país e enfatizou a importância de sistemas de inclusão como a Lei de Cotas e o Prouni, que tornaram o ensino superior mais inclusivo. Ao citar as grandes potências, o presidente brasileiro afirmou não querer “brigar” com Pequim e Washington, mas almeja que através da educação o Brasil possa derrotá-los “estudando mais do que eles”. — Você acha que eu quero brigar com a China? Eu não sou louco. Você acha que eu quero brigar com os Estados Unidos? Eu não sou louco. Eu não sou louco. Eu não tenho nem os aviões que eles têm, nem os tanques que eles têm, nem as bombas que eles têm, nem o dinheiro que eles têm, nem o conhecimento científico tecnológico que eles têm. Ao invés de ficar brigando com ele, eu quero derrotá-los. Estudando mais do que eles, investindo mais do que eles, pesquisando mais do que eles — acrescentou. Planejamento Para alcançar seu objetivo, Lula pediu que a comunidade científica apresente um plano capaz de preparar o país para competir em áreas estratégicas, como Inteligência Artificial (IA), minerais críticos e tecnologias digitais. A proposta, segundo o presidente, deve estabelecer objetivos concretos para os próximos 10 anos e indicar quanto o Brasil precisará investir para alcançá-los. Lula afirmou que o financiamento não pode ficar limitado à disputa anual por espaço no Orçamento e defendeu a construção de fontes adicionais de recursos, sem desrespeitar o arcabouço fiscal. — É preciso construir uma alternativa para criar um programa: nós vamos ter um investimento em pesquisa e, em 10 anos, a gente vai atingir tais metas — detalhou. Interesses Em seguida, Lula questionou qual papel o Brasil pretende desempenhar diante da competição tecnológica entre as duas maiores potências mundiais. — A gente vai deixar que a briga fique entre Estados Unidos e China ou a gente vai entrar no meio e dizer: ‘Nós existimos e o nosso povo não é mais burro do que o povo de vocês’ — alfinetou. Lula ressaltou que o objetivo não é alimentar conflitos com chineses ou norte-americanos, mas garantir que o Brasil tenha capacidade científica e tecnológica para defender os próprios interesses. Para isso, afirmou, o país precisa transformar conhecimento em soberania.