[Daniel Keppler] Memphis devolveu ao Corinthians tudo que seu primeiro contrato custou - e eu posso provar

admin
5 Aug, 2026
Nas últimas semanas, a torcida do Corinthians vem acompanhando com ansiedade as idas e vindas nas conversas entre o clube e o staff de Memphis Depay, visando a renovação do contrato do camisa 10. Não só ansiedade, aliás: alguma impaciência também, o que é muito justificado. Mas tem uma outra coisa me incomodando nesse assunto: a reação de parte da imprensa sobre as negociações, tratando a manutenção de Memphis com um misto de escandalização, falsa virtude e muita, mas muita hipocrisia. Em um dos conteúdos que vi, um conhecido comunicador fala do tema com seu amigo jornalista. Em poucos minutos, a dupla distorce a lógica sobre bônus por títulos, faz pouco caso do risco de execução da dívida de R$ 42 milhões (que pode dobrar, com os juros), mente sobre o nível de economia do Corinthians com a renovação e transforma salário em dívida para agravar o cenário de forma artificial - tudo isso em um tom de deboche que eu nunca vi ser usado, por exemplo, quando o tema da live é um certo jogador quase aposentado, que joga pelos lados do litoral paulista, idolatrado pelo tal comunicador. Em outro conteúdo, um jornalista que nunca escondeu o ódio que tem do Corinthians publicou uma coluna, em um conhecido veículo do jornalismo esportivo, onde atrela a renovação contratual de Memphis à "podridão" do clube. No texto, ele analisa com viés os termos financeiros do acordo firmado, desqualifica gratuitamente o jogador e trata o seu novo salário como piada, mesmo admitindo que é alguém acima da média no futebol brasileiro - uma incoerência flagrante. Falar do Corinthians engaja, eu entendo isso. Mas me incomoda quando a necessidade de engajar atropela a realidade das coisas e obriga quem busca os likes e views a ignorar os fatos e distorcer o passado. E no caso de Memphis, o passado não o condena, muito pelo contrário: mesmo com um 2026 muito abaixo do esperado, seu desempenho durante o primeiro contrato rendeu ao Timão muito mais dinheiro do que o seu custo com salários e bônus - e eu posso provar isso. Desde sua estreia, em setembro de 2024, Memphis acumulou 20 gols e 15 assistências em 79 partidas pelo Corinthians - ou uma participação em gol a cada 155 minutos em campo. Não é uma média arrebatadora, mas a análise fria dos jogos em que o atacante influenciou no placar revela que, quase sempre que marcou ou cedeu um passe para gol, ele ajudou o clube a ganhar pontos ou garantir classificações - e títulos. No Brasileirão de 2024, por exemplo, Memphis participou de 11 dos 13 jogos disputados pelo Corinthians após sua chegada. Além de potencializar o desempenho de Garro e Yuri Alberto, suas oito participações em gol (sete gols e uma assistência) garantiram as vitórias alvinegras contra Cuiabá, Vitória e Cruzeiro, além do empate contra o Internacional. Também recolocou o time em vantagem sobre o Athletico-PR e abriu o placar contra o Bahia. Isso significa, na prática, algo entre sete e 11 pontos ganhos na sua conta. Por sua vez, tanto na Copa do Brasil quanto na Copa Sul-Americana daquele ano, o camisa 10 não conseguiu influenciar nas campanhas do Corinthians. Ele não pôde ser inscrito na competição nacional, e embora tenha atuado no torneio continental, suas participações em gol (três assistências) não foram decisivas, nem na classificação sobre o Fortaleza. No Paulistão de 2025, o título conquistado pelo Corinthians passou diretamente pelos pés de Memphis. Na primeira fase, suas assistências nos garantiram o empate contra o Santos e a vitória sobre o Palmeiras, resultados fundamentais para termos a melhor campanha. Já no mata-mata, um gol e uma assistência contra o Mirassol, mais um passe para gol na vitória sobre o Santos, na Neo Química Arena, e um gol na final diante do Palmeiras - o único da decisão, garantindo o troféu. Já nos torneios continentais, Memphis repetiu a influência discreta da temporada anterior, sendo decisivo apenas na classificação corinthiana diante da Universidad Central, da Venezuela, na segunda fase preliminar da Libertadores, com uma assistência em cada jogo. Tanto na disputa contra o Barcelona do Equador, na fase seguinte, quanto na fase de grupos da Sul-Americana, as atuações do camisa 10 não impediram as eliminações precoces do Corinthians. No Brasileirão, Memphis atuou em 23 dos 38 jogos disputados pelo Timão, e suas nove participações em gol (seis gols e três assistências) foram decisivas nas vitórias contra Sport, Vasco e Internacional, além do empate diante do Botafogo - ou seja, influenciando na conquista de algo entre seis e oito pontos. Em um torneio onde a distância final do Corinthians para a zona de rebaixamento foi de apenas quatro pontos, nem preciso explicar a importância desses resultados na campanha. A Copa do Brasil de 2025 também contou com sua influência. Memphis marcou o gol da vitória em três partidas fundamentais para o título: no Dérbi, fora de casa, pelas oitavas de final; contra o Cruzeiro, também fora de casa, pelas semifinais; e na finalíssima, diante do Vasco, no Maracanã, quando anotou o segundo gol alvinegro e impediu que a disputa do troféu fosse para os pênaltis. Por fim, o primeiro semestre desse ano foi o ponto baixo de Memphis no Corinthians. Com apenas 14 jogos disputados, a produtividade no ataque despencou, com somente um gol marcado no Paulista e uma assistência cedida no Brasileirão - a única participação decisiva, por ter garantido o empate contra o Santos, no primeiro turno. Mas vamos às contas, afinal. Considerando tudo que foi exposto, desde 2024 até o final de seu primeiro contrato, no fim do mês passado, quanto dinheiro o Corinthians ganhou, na prática, graças aos resultados conquistados em campo com intervenção direta de Memphis? O resumo abaixo responde essa pergunta: - Brasileiro 2024: entre R$ 13 milhões e R$ 16,9 milhões (ganho de quatro a oito posições na tabela pelos gols e assistências decisivos) - Sul-Americana 2024: zero - Copa do Brasil 2024: zero - Paulista 2025: R$ 4,5 milhões (classificação à final + titulo) - Libertadores 2025: R$ 3,4 milhões (classificação na segunda fase preliminar) - Sul-Americana 2025: zero - Brasileiro 2025: entre R$ 1,3 milhão e R$ 17,8 milhões (manutenção na Série A + ganho de três a cinco posições na tabela pelos gols e assistências decisivos) - Copa do Brasil 2025: R$ 77,175 milhões (classificação às quartas de final, final + título) - Supercopa do Brasil 2026: zero - Campeonato Paulista 2026: zero - Brasileiro 2026: zero - Copa do Brasil 2026: zero Somando os valores acima, chegamos a um montante total entre R$ 99,375 milhões e R$ 119,775 milhões, obtidos pelo Corinthians por influência direta das atuações de Memphis Depay. É um número concreto, que não considera ganhos indiretos com bilheteria, audiência, publicidade, pois seria impossível calcular com os dados públicos das finanças do clube. Mas é suficiente para cobrir o custo contratual do jogador? A resposta é sim. E para isso, vamos detalhar todos os valores que o Corinthians se comprometeu a pagar ao atacante pelo vínculo assinado em 2024: - Contrato de trabalho: R$ 32,001 milhões (brutos) - Contrato de luvas: R$ 25,203 milhões - Direitos de imagem: R$ 35,178 milhões (brutos) - Bônus de participação em gols: R$ 4,725 milhões - Bônus de jogos relacionados: R$ 6,301 milhões - Bônus de títulos: R$ 14,177 milhões Somando os valores acima, chegamos a um custo total de R$ 117,585 milhões. Mas precisamos lembrar de algo nesse momento: os R$ 57 milhões recebidos pelo Corinthians, da Esportes da Sorte, como um valor adicional e vinculado à contratação de um jogador de impacto midiático - ou seja, que só foi pago porque o Memphis foi contratado. É válido admitir, portanto, que o custo contratual líquido, para o clube, foi de R$ 60,585 milhões. É importante mencionar que o contrato impõe outras obrigações ao Corinthians: a contratação de chef e seguranças particulares, a cessão de um camarote na Neo Química Arena, carros blindados e passagens à Europa e o custeio de residência para o jogador e seu assessor. Mas o maior desses compromissos - o aluguel da cobertura do Rosewood - deveria ser algo temporário, até que o Corinthians disponibilizasse uma casa em condomínio fechado. Isso jamais foi feito. Culpa de quem? Não sabemos. Mesmo assim, os números não mentem. Apesar do desempenho abaixo nos últimos meses, Memphis Depay produziu o suficiente para render ao Corinthians, no mínimo, 50% a mais do que custou ao clube. Se hoje a diretoria ainda lhe deve R$ 42 milhões, não é porque os recursos não chegaram, e sim porque a diretoria, instalada no Parque São Jorge, foi incompetente ao gerir esses recursos. É um erro que poderemos ver ser repetido, caso a renovação ocorra? Provavelmente sim, pois os incompetentes seguem lá. Isso significa que o contrato anterior era bom? Acho que não, foi caro demais para o clube. Mas de forma alguma podemos ignorar que o saldo final do investimento foi totalmente positivo - independente do que pensam aqueles que amam odiar o Corinthians. Graças a tudo isso é que apoio totalmente a renovação com Memphis Depay. Não sei o que vai acontecer até 2028, mas hoje vejo como fundamental continuarmos contando com um jogador importante, decisivo quando o jogo importa, ainda mais por um custo muito menor que o assumido antes. Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão. 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