Presidente do Corinthians não participa de oitiva no MP em caso sobre contrato de segurança
6 Aug, 2026
Presidente do Corinthians não participa de oitiva no MP em caso sobre contrato de segurança O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, não participou da oitiva agendada para esta quinta-feira pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), no âmbito do procedimento investigatório que apura possíveis irregularidades na contratação de empresas de segurança durante sua gestão. A informação foi divulgada inicialmente pelo Blog do Macedo e confirmada pelo Meu Timão. Como soube a reportagem, Osmar Stabile comunicou ao promotor Cássio Roberto Conserino, responsável pelo caso, que apresentará sua manifestação por escrito. Dessa forma, o presidente terá prazo de até dez dias, contados a partir desta quinta-feira, para encaminhar sua versão dos fatos. Inicialmente, o depoimento estava marcado para o mês de junho. No entanto, a defesa do dirigente solicitou o adiamento, alegando “compromissos institucionais” na agenda do mandatário alvinegro. O pedido foi apresentado diretamente à Promotoria responsável pelo caso. Vale lembrar que Stabile passou a figurar oficialmente como investigado no procedimento no dia 9 de junho, quando o MP-SP determinou que ele apresentasse esclarecimentos formais sobre sua participação no caso. A investigação do Ministério Público teve início em maio de 2026 e apura a atuação da Mega Assessoria Operacional Ltda., empresa responsável pelos serviços de segurança do Corinthians entre setembro e outubro de 2025. Segundo o promotor Cássio Conserino, a companhia não possuía autorização da Polícia Federal para atuar no ramo de segurança privada, exigência prevista na legislação, além de não haver contrato formal firmado com o clube para a prestação dos serviços. Ao todo, foram emitidas três notas fiscais que somam R$ 676,6 mil. A Mega Assessoria Operacional foi aberta em nome de Fernando José da Silva, conhecido como Nandão, então gerente operacional do clube social e atualmente gerente do CT Dr. Joaquim Grava. Em depoimento, o funcionário afirmou que criou a empresa a pedido do então diretor administrativo Fábio Soares, com o objetivo de viabilizar o pagamento dos profissionais de segurança contratados pela gestão. O MP, porém, apura se a estrutura foi utilizada para burlar as regras de contratação do clube. As investigações avançaram e passaram a abranger também a contratação da Bear Security, empresa responsável pela segurança pessoal de Osmar Stabile e de seus familiares desde julho de 2025. Conforme revelou o Sport Insider e publicou o Meu Timão, a empresa também não possuía autorização da Polícia Federal para prestar serviços de segurança privada. Ainda segundo a apuração, a Bear Security tem o Corinthians como único cliente e recebeu cerca de R$ 587 mil do clube por meio da emissão de 12 notas fiscais. Depoimentos contradizem versão do Corinthians Outros integrantes do Corinthians durante a gestão Osmar Stabile já prestaram depoimento ao Ministério Público. Segundo o ofício assinado pelo promotor Cássio Conserino, ao qual o Meu Timão teve acesso, a decisão de incluir Stabile como investigado foi fundamentada em dois elementos. O primeiro é o depoimento de Fábio Soares, ex-diretor administrativo do clube, que afirmou ao MP-SP que a contratação emergencial da empresa de segurança partiu do próprio presidente, e não dele, como o clube havia informado anteriormente. O segundo é a constatação documental de que Fernando José da Silva, proprietário da empresa contratada, também era funcionário do Corinthians à época da prestação dos serviços. O documento cita ainda uma contradição identificada durante as apurações. Em 23 de maio de 2026, Fernando assinou um ofício à Polícia Militar solicitando escolta para a delegação corinthiana na Libertadores, identificando-se como gerente operacional do clube. O fato contraria as informações prestadas pelo Corinthians ao Ministério Público, de que ele teria trabalhado no clube apenas entre setembro e outubro de 2025. Relembre o caso Como revelou o Sports Insider no início de março, a empresa Mega Assessoria Operacional Ltda, aberta em 3 de julho de 2025 pelo próprio Fernando José da Silva, prestou serviços de segurança no CT e no Parque São Jorge entre setembro e outubro de 2025, sem autorização da Polícia Federal para atuar no segmento de segurança privada e sem contrato assinado com o clube. Ao todo, três notas fiscais somaram R$ 676,6 mil (R$ 244.627,66 em 11 de setembro, R$ 208.350 em 23 de setembro e R$ 223.650 em 21 de outubro), com descrições que variam entre “assessoria de qualquer natureza”, “ consultoria econômica” e “vigilância”. Segundo Stabile, o contexto que deu origem à contratação foi a invasão do andar da presidência do clube, em 31 de maio de 2025, por apoiadores do presidente destituído Augusto Melo. O dirigente afirmou que pediu a Fernando que reorganizasse a equipe de segurança, mas negou ter solicitado a abertura da empresa ou ter tido conhecimento da iniciativa, classificando o ocorrido como um erro administrativo. Além disso, ele explicou que um presidente do Corinthians precisa contar com esse efetivo de segurança, além de ter confiança nos profissionais que prestam esse tipo de serviço. Em meio à repercussão do caso, Osmar Stabile anunciou que afastaria o diretor administrativo Fábio Soares enquanto durassem as investigações do Ministério Público. No entanto, o dirigente renunciou ao cargo dias depois. Horas antes, conselheiros e associados do Corinthians protocolaram um pedido de afastamento cautelar do então diretor administrativo. O MP-SP apura possíveis crimes de furto, falsidade ideológica e outras irregularidades relacionadas aos pagamentos, incluindo suspeitas de uso de interposta pessoa.