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24 Aug, 2026
Governo não deveria se preocupar com cota nacional no streaming, diz Amazon Resumo Enquanto Ministério da Cultura, Congresso e mercado discutem a regulamentação das plataformas de streaming no Brasil, a Amazon não vê o atual cenário como um obstáculo para continuar investindo no país. Um dos pontos mais sensíveis no debate envolve justamente a adoção de cotas de conteúdo nacional. "O governo brasileiro não deveria estar preocupado, porque estamos comprometidos", afirmou Javiera Balmaceda, diretora de Originais Internacionais para América Latina, Canadá e Austrália do Amazon MGM Studios, em entrevista à coluna. "Acho que é uma questão de chegar ao diálogo certo, à conversa certa, porque estamos investindo em produções locais". A declaração ocorreu logo após o Amazon Prime Video anunciar um investimento de mais de US$ 2 bilhões (R$ 10,3 bi, na cotação atual) na América Latina entre 2027 e 2030, dobrando o número de originais. O valor inclui também direitos esportivos e licenciamento de conteúdo para o catálogo. Durante o evento, realizado na Cidade do México na última quinta-feira, 20, a Amazon apresentou sete programas brasileiros para 2027. Entre eles estão a segunda temporada de "Tremembé"; "Obsessão" (título provisório); "Quem Matou PC Farias?"; "Tiros no Escuro"; os documentários "Marília" e "Maiara & Maraisa"; e o reality show "Oi, Sumido!". Foram reveladas outras 18 atrações latino-americanas. Os títulos ficarão disponíveis mundialmente, em todos os países onde o serviço está presente. Questionada sobre o que falta ao Brasil para continuar atraindo esses investimentos, Javiera foi direta: "Acredito que nada". "Continuamos ampliando nossa lista de produções e mostrando a importância do conteúdo brasileiro", continuou a executiva. "Acho que a quantidade de produções que estamos fazendo no Brasil demonstra nosso compromisso com as histórias locais." Além disso, a aposta não se explica apenas pelo tamanho do mercado. Para a Amazon, a região já comprovou que seus títulos conseguem encontrar público em outros lugares do mundo. "Já mostramos o potencial das nossas histórias locais não apenas dentro da América Latina, mas também fora dela", afirmou Javiera. Investimento na atração Contudo, para entender por que a Amazon investe em originais do Brasil, é necessário compreender o modelo de negócio da companhia — que envolve não só entretenimento, mas também um ecossistema que inclui o e-commerce do grupo. "Temos métricas gerais de negócios que acompanhamos para cada um dos programas. Algumas delas estão mais relacionadas à aquisição ou ao aumento de assinaturas que os programas nos trazem", explicou Tomás Tejero, diretor regional da plataforma para América Latina e Canadá. O perfil do espectador também é relevante. "Jovens mulheres entre 18 e 34 anos, em toda a região, estão entre a audiência mais engajada do Prime Video em todo o mundo", revelou Kelly Day, vice-presidente internacional da plataforma, durante a apresentação. "Estamos programando para elas, como uma prioridade". A executiva afirma ainda que os homens latino-americanos são "igualmente apaixonados". "A abrangência do que estamos fazendo reflete a abrangência do nosso público", resumiu a executiva. Um dos exemplos mais recentes dessa estratégia é "Tremembé". A série nacional sobre alguns dos criminosos mais conhecidos do país se transformou em um dos grandes sucessos locais do Prime Video, movimentando as redes sociais - especialmente entre as mulheres - e justificando uma segunda temporada. "O que precisamos fazer é trabalhar para garantir que esses clientes continuem no Prime Video e também na assinatura do Amazon Prime, além de dar continuidade com outras produções que estão por vir e com conteúdo licenciado", explicou. Para decidir onde colocar o dinheiro, a Amazon afirma também partir de um princípio que chama internamente de "obsessão pelo cliente": entender quais enredos regionais conseguem estabelecer uma conexão com os espectadores. "Quais são as melhores histórias locais que podemos contar para essa audiência?", resumiu Javiera Balmaceda. "Acredito que, quando encontramos narrativas locais que realmente se conectam com o grande público brasileiro, é exatamente nessa direção que estamos indo." Histórias reais Nesse sentido, chama a atenção o volume de true crime entre os títulos programados para o próximo ano. O sucesso de "Tremembé" abriu caminho para "Quem Matou PC Farias?", sobre o polêmico assassinato do tesoureiro de campanha do ex-presidente Fernando Collor; e "Tiros no Escuro", sobre o Massacre do Morumbi Shopping, em 1999. Um terceiro título, "Obsessão", traz um enredo de ficção sobre um stalker (perseguidor) e será estrelado por Marina Ruy Barbosa. Para Javiera, essas histórias engajam porque são "empolgantes e divertidas". "Mas que também abordam a condição humana — o que significa ser uma pessoa e viver neste mundo — de uma maneira muito diferente. E é isso que cativa o público. Talvez seja também a possibilidade de se distanciar de quem você é e enxergar uma outra realidade, um outro tipo de pessoa." Seja como for, oportunidade para explorar outros gêneros não deve faltar. Questionado sobre onde gostaria de ver o Prime Video no Brasil nos próximos anos, Tomás Tejero apontou a intenção de aproveitar o momento atual para continuar crescendo e entregar mais produções ao espectador brasileiro. Já Javiera resumiu a ambição em uma palavra: "Maior." O colunista viajou ao México a convite da Amazon. Siga Renan Martins Frade no X (ex-Twitter), Instagram, TikTok e LinkedIn, ou faça parte do grupo do WhatsApp. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.