Como é a nova VW Tukan ao vivo: maior que Saveiro e pronta para encarar Strada
26 Aug, 2026
A Volkswagen já mostrou praticamente tudo da nova Tukan por fora, mas foi ao vê-la pessoalmente em Barretos (SP) que algumas decisões tomadas no projeto começaram a fazer mais sentido. A principal delas está no tamanho. Esqueça a ideia de uma simples sucessora da Saveiro: a nova picape cresceu, ficou mais larga e alta e passa uma sensação de robustez bem maior ao vivo. Também não chega ao território da Fiat Toro. A melhor maneira de entender a Tukan é colocá-la no espaço entre esses dois extremos. Ela é claramente maior que a Saveiro, fica próxima da Chevrolet Montana em porte e também cresce sobre a Fiat Strada, justamente o modelo que serviu como uma das principais referências durante seu desenvolvimento. A Tukan chega ao mercado brasileiro no primeiro semestre de 2027 e será produzida em São José dos Pinhais (PR). Por enquanto, a Volkswagen mostrou duas interpretações bastante diferentes da picape: a Extreme, cabine dupla e com uma pegada mais lifestyle, e a Robust, cabine simples e desenvolvida essencialmente para trabalhar. Parece T-Cross? Só por baixo A Tukan é construída sobre a arquitetura MQB e compartilha parte de sua base técnica com o T-Cross, inclusive com entre-eixos ampliado para atender às necessidades de uma picape. Visualmente, porém, a Volkswagen fez questão de separar os dois modelos. Segundo João Carlos Pavone, chefe de Design da Volkswagen para as Américas, praticamente nenhuma peça externa foi aproveitada do SUV. A exceção é o para-brisa. É uma abordagem diferente daquela aplicada por décadas na Saveiro. Nas primeiras gerações, bastava olhar para a frente da picape para reconhecer imediatamente o Gol que havia dado origem ao projeto. Na Tukan, a Volkswagen procurou fazer exatamente o contrário. Ao vivo, isso funciona. A dianteira é alta, larga e visualmente mais pesada do que as proporções gerais da picape poderiam sugerir. Na Extreme, o conjunto ganha faróis de LED, uma assinatura luminosa que atravessa a parte superior da dianteira e bastante material preto no para-choque. Não chega a parecer uma picape média, mas há uma clara tentativa de aproximá-la visualmente de veículos maiores. Há uma curiosidade importante nessa história. Durante o desenvolvimento, a Volkswagen chegou a trabalhar em uma primeira proposta baseada no Tera. O conceito, porém, não avançou após as clínicas realizadas com consumidores. A empresa voltou ao projeto e o resultado foi uma picape maior e mais robusta, exatamente como a Tukan apresentada agora. Volkswagen Tukan 2027 Foto de: Fábio Trindade A Extreme é a Tukan para quem não precisa de uma picape Pode parecer contraditório, mas explica bem a cabine dupla. A Tukan Extreme foi criada para disputar o consumidor que gosta da versatilidade de uma caçamba, mas vai usar o carro também na cidade, em viagens e como veículo familiar. É a mesma lógica que transformou versões mais caras de Strada, Montana e Toro em alternativas aos SUVs. É justamente nessa configuração que a Tukan parece mais sofisticada. Além da dianteira mais elaborada, há quatro portas, rodas maiores, acabamento externo mais trabalhado e uma peça preta atravessando a tampa traseira e conectando visualmente as lanternas. O nome Tukan aparece estampado diretamente na caçamba. As proporções também funcionam melhor ao vivo do que algumas imagens sugeriam. Ela não parece excessivamente comprida e tampouco tem a carroceria estreita típica de picapes menores. Para o uso urbano, há uma combinação interessante: é grande o suficiente para se distanciar visualmente da Saveiro, mas não chega às dimensões que tornam uma Toro ou uma picape média menos práticas no dia a dia. E há outro elemento importante para essa versão. A Volkswagen já confirmou que a Tukan terá eletrificação no Brasil. A expectativa é que justamente as configurações superiores concentrem o sistema híbrido leve, associado aos motores turbo da nova geração da marca. Os detalhes técnicos, porém, serão revelados mais perto do lançamento. Volkswagen Tukan 2027 Foto de: Fábio Trindade Robust talvez seja a versão mais interessante Se a Extreme chama mais atenção nas fotos, a Tukan Robust é provavelmente a configuração que melhor explica por que a Volkswagen desenvolveu uma picape completamente nova em vez de simplesmente continuar evoluindo a Saveiro. A cabine simples é assumidamente um veículo de trabalho. As rodas são de aço de 16 polegadas, os retrovisores não recebem pintura e boa parte do para-choque é feita de plástico sem acabamento decorativo. Até a traseira foi simplificada: desaparece a moldura preta usada na Extreme, reduzindo o número de peças sujeitas a danos e facilitando eventuais reparos. Nada disso aconteceu por acaso. Durante o desenvolvimento, a Volkswagen colocou protótipos nas mãos de consumidores que atualmente utilizam picapes no trabalho. Algumas soluções aparentemente simples vieram diretamente dessas experiências. O para-choque sem pintura, por exemplo, evita preocupação com riscos, pedras e pequenos danos comuns para quem circula diariamente em propriedades rurais, obras ou estradas ruins. A caçamba também recebeu atenção especial. A Volkswagen ainda não divulgou capacidade em litros ou carga útil, mas trabalhou seu formato para acomodar diferentes dimensões de pallets. Ao vivo, especialmente na cabine simples, ela parece consideravelmente maior que a da Saveiro e ajuda a explicar o aumento das dimensões da Tukan. Feixe de molas não está ali por acaso Outra decisão que chama atenção está escondida debaixo da carroceria. A Tukan utilizará eixo traseiro rígido com feixes de molas, inclusive nas versões de cabine dupla. É uma solução diretamente associada à capacidade de carga e bastante diferente da suspensão traseira da Saveiro. Pode soar menos sofisticado para uma versão como a Extreme, mas a escolha veio das prioridades estabelecidas durante o desenvolvimento. A Volkswagen queria que a Tukan realmente funcionasse como picape, inclusive quando carregada, em vez de simplesmente transformar um automóvel de passeio em um veículo com caçamba. Isso coloca a engenharia diante de outro desafio: fazer a cabine dupla manter um nível adequado de conforto quando estiver vazia. A calibração final terá papel importante e só poderemos avaliar essa parte quando dirigirmos a Tukan. Por enquanto, a Volkswagen ainda não liberou a picape para avaliação dinâmica. E os motores? A Volkswagen ainda não abriu a gama completa de motores, versões e transmissões, portanto é importante separar confirmação de expectativa. A Tukan terá eletrificação e sua arquitetura permite aproveitar conjuntos mecânicos utilizados por outros modelos nacionais da marca. O 1.0 TSI é candidato natural às versões de maior volume, inclusive com câmbio automático, enquanto a configuração híbrida leve deverá ocupar uma posição superior na gama. Para a Robust, existe ainda a possibilidade de utilização do conhecido 1.6 aspirado com transmissão manual, especialmente pelo foco em custo, manutenção e uso profissional. A configuração definitiva será apresentada mais perto da estreia comercial. A Volkswagen também ainda não divulgou preços, capacidade de carga, volume da caçamba ou as dimensões completas do modelo. E a Saveiro? Oficialmente, a Volkswagen diz que a Saveiro continuará em produção. Depois de colocar a Tukan Robust e a veterana lado a lado mentalmente, porém, fica difícil imaginar como essa convivência funcionará no longo prazo. A diferença de geração é enorme. A Saveiro ainda utiliza uma arquitetura derivada do antigo Gol, enquanto a Tukan parte da MQB, é maior, mais larga, tem uma cabine muito mais moderna e foi projetada desde o início considerando necessidades específicas de carga e uso profissional. O preço será determinante. Se houver uma distância considerável entre as duas, existe espaço para manter a Saveiro como porta de entrada por algum tempo. Se os valores se aproximarem, a cabine simples da Tukan pode tornar essa escolha bem mais complicada para o consumidor. Tukan quer repetir a história do T-Cross Talvez a comparação mais interessante dentro da própria Volkswagen seja com o T-Cross. A marca demorou para entrar de verdade no segmento de SUVs compactos no Brasil, encontrou concorrentes estabelecidos quando chegou e, ainda assim, transformou o modelo em um dos carros mais vendidos do país. Com a Tukan, acontece algo parecido. A Volkswagen entra em um mercado dominado pela Fiat Strada e no qual a Chevrolet Montana também disputa o consumidor de cabine dupla. Em vez de tentar encaixar a Saveiro nesse espaço, decidiu criar um produto maior e com uma faixa de atuação muito mais ampla. A Robust quer o cliente que precisa carregar peso e usa a picape como ferramenta. A Extreme pretende buscar quem poderia comprar um SUV, mas prefere a versatilidade e a imagem de uma picape. No meio disso estarão motores turbo, câmbio automático e eletrificação. Ao vivo, pelo menos, a primeira impressão é de que a Volkswagen acertou principalmente no porte. A Tukan não parece uma Saveiro grande e também não tenta ser uma Toro pequena. Encontrou um tamanho próprio entre esses dois mundos. Agora falta justamente aquilo que uma picape precisa provar: como anda vazia, como se comporta carregada e, principalmente, quanto a Volkswagen vai cobrar por ela. Veja também Provocação? BYD apresenta Mako vestida com cor da Tukan e adianta primeira PHEV do segmento Gusttavo Lima chega de VW Tukan na Festa do Peão de Barretos Volkswagen Tukan chega no 1o semestre de 2027 em 2 versões; veja as fotos Volkswagen Tukan revelada: picape inédita estreia na Festa do Peão de Barretos