Depois de Tukan e Mako, Fiat Toro terá uma enxurrada de rivais híbridas
26 Aug, 2026
A apresentação da VW Tukan e da BYD Mako com diferença de poucos dias deixou o segmento de picapes médio-compactas em alta no Brasil. Mas esse mercado, cada vez mais cheio de concorrentes, não parará por aí. Muito em breve, Renault, Leapmotor e até Toyota também terão rivais do tipo. E todas elas têm algo em comum: serão eletrificadas. Claro, tal como já acontece com os SUVs, cada uma terá um tipo diferente de conjunto, indo dos híbridos leves e plenos até sistemas mais sofisticados, como os plug-in. Hoje, nessa categoria, apenas a Fiat Toro conta com um sistema leve de 48 volts, enquanto a Ford Maverick aposta em um híbrido pleno. Abaixo, contamos o que esperar de cada uma e qual será a aposta de cada marca nesse campo. VW Tukan - leve de 48 volts Substituta da Saveiro, a Tukan apostará na solução mais simples entre as futuras picapes eletrificadas. Como utiliza a mesma plataforma MQB do T-Cross, ela não será responsável pela estreia do híbrido pleno que a marca prepara sobre a nova arquitetura MQB37. No topo da gama, a expectativa é pelo 1.5 eTSI associado a um sistema híbrido leve de 48 volts, tecnologia inédita entre os modelos nacionais da VW e que deverá chegar a outros produtos da linha no médio prazo. Nesse conjunto, o motor elétrico funciona principalmente como apoio ao propulsor a combustão, auxiliando em determinadas situações e recuperando energia nas desacelerações, sem a capacidade de movimentar a picape sozinho, como acontece em um HEV. É uma solução menos complexa e mais barata, algo importante para uma picape que a Volkswagen pretende transformar em produto de volume. Conforme já revelou a marca, a Tukan terá desde a Robust de cabine simples, visual bastante franciscano e foco no trabalho, até versões mais equipadas com cabine dupla. Por isso, apesar de já ter sido apontada como rival de Toro, a expectativa é por um posicionamento muito mais próximo aos preços praticados hoje pela Saveiro e, principalmente, pela Fiat Strada. Renault Niagara - leve com tração AWD A Niagara sobe um degrau porque, apesar de também usar um sistema de 48 volts, a solução preparada pela Renault é bem mais elaborada do que um híbrido leve convencional. A tecnologia deverá estrear primeiro no Boreal ao longo de 2027 e só depois chegar à picape, que inicialmente nascerá apenas com o 1.3 TCe de 163 cv e 27,5 kgfm. A referência é o sistema já oferecido pela Renault no exterior, que mantém o 1.3 turbo na dianteira, mas adiciona um motor elétrico traseiro de 31 cv e 8,9 kgfm. Esse propulsor conta com embreagem própria e duas marchas, alimentado por uma bateria de 0,84 kWh. Com isso, o conjunto consegue trabalhar com tração dianteira, traseira em situações específicas e também 4x4 sob demanda, sem precisar de eixo cardã ligando mecanicamente os dois eixos. Maior e mais sofisticada que a Tukan, a Niagara será praticamente um Boreal com caçamba, compartilhando plataforma, interior, tecnologia e boa parte da mecânica com o SUV. A Renault deverá justamente usar o Boreal como primeiro passo para nacionalizar essa eletrificação antes de levá-la à picape, que ficará mais voltada às versões caras do segmento, na faixa de Ram Rampage e Ford Maverick. BYD Mako - PHEV flex com motor de Song Pro Outra que subirá a régua do segmento é a BYD Mako. Com base de Song Pro, a nova picape é o primeiro fruto dos projetos regionais que a chinesa prepara para o Brasil e mira diretamente na Fiat Toro por volume e tamanho. Diferente de Tukan e Niagara, porém, ela já chegará com um sistema híbrido plug-in, capaz de rodar por mais tempo apenas no modo elétrico. A expectativa é que use uma evolução do conjunto do Song Pro, com motor 1.5 aspirado flex trabalhando junto de um propulsor elétrico. Caso mantenha a configuração mais forte do SUV, ficará perto dos 219 cv e 30,6 kgfm, com bateria de 18,3 kWh e recarga externa. No Song Pro GS, esse conjunto garante 72 km de autonomia elétrica pelo Inmetro, embora a capacidade e o alcance definitivos da Mako ainda dependam de homologação. Produzida em Camaçari (BA), a picape chega ainda em 2026 e deverá ter versões 4x2 e 4x4. Também será a primeira PHEV flex entre as intermediárias, podendo usar gasolina ou etanol quando o motor a combustão entrar em ação. É aí que ela se distancia de vez das duas anteriores: deixa de usar a eletrificação apenas como apoio e passa a tratar a bateria como fonte de energia principal em boa parte dos deslocamentos. Toyota Corolla picape - HEV e PHEV flex Mais distante do lançamento, a futura picape da Toyota ainda é cercada de algumas incógnitas, mas já roda em testes no interior de São Paulo sob o código 150D. O modelo será produzido em Sorocaba (SP), usará a plataforma TNGA e terá forte parentesco com o Corolla Cross, tanto no porte quanto na parte técnica. A previsão mais recente aponta para estreia entre 2027 e 2028, posicionada abaixo da Hilux e diretamente na faixa de Toro, Rampage e companhia. A expectativa é que a gama explore justamente uma das maiores especialidades da Toyota por aqui: os híbridos flex. Entre as possibilidades está uma evolução do atual conjunto HEV com motor 1.8 de ciclo Atkinson, além de uma configuração PHEV flex inédita, desenvolvida a partir da nova família de motores que a fabricante prepara no Brasil. Essa versão plug-in deverá seguir uma lógica próxima à do RAV4 PHEV, combinando motor a combustão com propulsores elétricos e possibilidade de tração integral por meio de um motor dedicado ao eixo traseiro. Assim, apesar de chegar depois, o grande pulo do gato da marca japonesa seria apostar em dois tipos diferentes de híbridos, e não apenas no plug-in, podendo oferecer desde um HEV sem necessidade de tomada até uma versão PHEV mais potente e capaz de percorrer distâncias maiores só com eletricidade. Leapmotor C10 - híbrida com extensor de autonomia Ainda em fases iniciais de protótipo, a primeira picape da Leapmotor é talvez a mais distante do mercado hoje. De qualquer forma, segundo Marlos Ney Vidal, do Autos Segredos, a marca chinesa já trabalha em uma rival da BYD Mako e das próprias primas Fiat Toro e Ram Rampage com uma base e motorização bem diferentes, usando o sistema híbrido REEV já oferecido no SUV C10. É justamente aqui que aparece a solução mais diferente entre as futuras picapes da lista. No protótipo, quem movimenta as rodas é sempre o motor elétrico traseiro de 215 cv e 32,6 kgfm, alimentado por uma bateria LFP de 28,4 kWh que também pode ser recarregada na tomada. O motor 1.5 de ciclo Atkinson fica na dianteira, mas não move as rodas: funciona apenas como gerador para produzir eletricidade quando necessário. Hoje ele bebe gasolina, mas a Stellantis já prepara uma calibração flex para 2027. Por enquanto, porém, é cedo para tratar a picape como lançamento confirmado. A engenharia montou apenas mulas de teste usando a plataforma e a mecânica do C10 com partes de carroceria da Strada, as chamadas 'mulas', justamente para estudar a viabilidade do projeto. Ainda não se sabe nem se o modelo manteria a tração traseira do SUV ou ganharia um segundo motor para virar 4x4, e a própria base também poderia servir futuramente a novas gerações de Toro e Rampage. Ou seja: entre todas desta lista, é a que tem a tecnologia mais curiosa, mas também a que ainda deverá passar por muitas etapas antes de chegar nas lojas. Leia mais Provocação? BYD apresenta Mako vestida com cor da Tukan e adianta primeira PHEV do segmento Volkswagen Tukan chega no 1o semestre de 2027 em 2 versões; veja as fotos Flagra: Nova picape da Toyota aparece pela primeira vez com estilo de Corolla Cross Nova Renault Niagara já tem data para ser lançada; veja o que sabemos