Escalar uso de IA requer capacidade organizacional, dizem executivos de INEP e Petrobras
11 Sep, 2026
O chefe executivo de auditoria (CAE) da Petrobras , André Santos, e o CIO do INEP , Fernando Szimanski, afirmaram que escalar o uso de inteligência artificial nas instituições depende da capacidade organizacional . Na visão do CIO do INEP, o processo envolve riscos e passa por uma série de questões, como formação, arquitetura, segurança, governança e pessoas, que devem ser acolhidas pelas empresas, segundo Santos. “A tecnologia não pode ser analisada de forma isolada, ela passa por seres humanos. Eles muitas vezes se sentem inseguros, com medo”, alertou em evento da SAS , realizado em São Paulo, nesta quinta-feira, 10. Para ele, a evolução de processos e pessoas não está acontecendo na mesma velocidade que o progresso tecnológico. O desafio também é vivido pelos executivos. No INEP, Szimanski explicou que o instituto busca trabalhar na velocidade necessária, mas com controle. “Somos muito conhecidos por organizar o Enem, mas temos um papel fundamental na educação brasileira. Estão sob nossa responsabilidade outros exames que avaliam a educação básica e superior, além dos censos educacionais. Por isso, experimentamos alguma inovação em escala bem menor, para aprendermos e fazê-la ganhar tração”, explicou. Na Petrobras, há um laboratório para testar novas IAs. “Todo mundo quer uma inteligência artificial para chamar de ‘minha’ e o erro está nisso. É preciso ter um processo para identificar onde aplicar e como agregar valor”, afirmou. Desafios Os dois executivos falaram que, no âmbito público, inovar é lidar com a rigidez dos órgãos de controle e o risco de penalização pelo erro. “No governo é algo muito complexo, pois a legislação não ampara adequadamente, e quando o gestor tem a iniciativa, ele é visto como um lunático ou algo radioativo”, brincou o CIO do INEP. Santos comentou sobre a responsabilidade que a Petrobras tem de preparar pessoas com anos de mercado para utilizarem novas tecnologias. “Na auditoria, procuramos criar um ambiente de segurança, onde incentivamos o uso de inteligência artificial para fazer dele um hábito, com as equipes mais experientes tendo a oportunidade de testar inovações”, disse. No INEP, a dificuldade é utilizar novas tecnologias com uma série de dados, sobretudo de pessoas menores de idade. Recentemente, a instituição implementou a plataforma Sedap (Serviço de Acesso a Dados Protegidos) , que tem em sua configuração técnicas de privacidade diferencial. Além disso, utiliza inteligência artificial na elaboração e pré-testagem no preparo de suas provas, com ênfase em transparência. Preparar pessoas e encarar erros O executivo da Petrobras considera que, para ampliar o uso de inteligência artificial em novos processos, é preciso encarar o erro como uma etapa essencial, inclusive vindo da tecnologia. Ele acredita que há uma cobrança exagerada sobre sua assertividade. “Estamos trabalhando com um assistente e não com o gênio da lâmpada”, apontou, ressaltando que o raciocínio da tecnologia é probabilístico e sujeito a erros. Santos e Szimanski defenderam que, para além disso, a decisão final deve ser exclusivamente humana e institucional. “Quem faz a escolha da ação precisa fazer uma análise ou inferir uma hipótese do que foi apresentado. Por isso, é fundamental que a decisão seja tomada por uma pessoa capacitada”, alertou o CIO do INEP. O executivo da Petrobras também alertou sobre o controle excessivo no uso de ferramentas, que pode criar dificuldades e motivar os funcionários a buscarem as não oficiais da empresa (Shadow AIs). “Quando você tem um ambiente com tecnologia de controle, risco, compliance e governança que acompanha a evolução tecnológica, há a segurança e a velocidade necessárias para progredir”, destacou o CAE.