PF vê Flávio Bolsonaro como articulador de repasses para filme sobre o ex-presidente golpista
12 Sep, 2026
Flávio Bolsonaro durante coletiva de imprensa. Foto: Reprodução A Polícia Federal reuniu mensagens que, na avaliação dos investigadores, indicam participação ativa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na negociação e no acompanhamento de repasses para “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O inquérito apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção ativa e passiva e organização criminosa ligadas ao caso. A cronologia da PF começa em 8 de dezembro de 2024, quando o publicitário Thiago Miranda procurou Flávio para agendar uma reunião com Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master. Miranda informou que o assunto seria o “filme do presidente”, e o encontro ficou marcado para 11 de dezembro. Dois dias antes da reunião, uma mensagem atribuída a Flávio e encaminhada por Miranda a Vorcaro dizia que o deputado federal bolsonarista Mário Frias participaria da conversa. Em 20 de janeiro de 2025, Miranda mostrou a Vorcaro uma conversa na qual Flávio cobrava uma resposta da equipe jurídica do ex-banqueiro sobre o financiamento da produção audiovisual. Naquele período, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, passou a integrar as tratativas sobre a viabilização dos recursos. Em 28 de janeiro de 2025, Vorcaro disse a Zettel que o pagamento do filme era “o mais importante disparado” e que os repasses não poderiam falhar. Reprodução do relatório da PF Mensagens citam cobranças e encontros sobre a produção Em março de 2025, Miranda avisou Vorcaro que “Flavio B e Eduardo” queriam marcar outra reunião para tratar do filme. A PF também afirma que Eduardo Bolsonaro, que estava nos Estados Unidos, deu orientações sobre a gestão dos recursos no país. Os investigadores identificaram indícios de interlocução direta entre Flávio e Vorcaro em agosto daquele ano. No dia 20, mensagens apontaram para um possível encontro presencial, ao qual Flávio respondeu: “a caminho”. Em setembro, o senador enviou um áudio ao ex-banqueiro cobrando pagamentos e citando preocupação com um eventual atraso diante do ator Jim Caviezel e do diretor Cyrus Nowrasteh. Reprodução do relatório da PF Em 15 de setembro, Thiago Miranda informou a Vorcaro que Flávio pretendia mostrar o material que a equipe gravava e sugeriu uma reunião na casa do ex-banqueiro. No dia seguinte, os dois conversaram por telefone, em data que coincidiu, conforme a PF, com a última remessa financeira da Entre Investimentos para a Havengate. Em 22 de outubro de 2025, Flávio disse a Vorcaro que a produção estava “no limite” e precisava de novo aporte, no terceiro dia de gravações. Em 7 de novembro, enviou um vídeo no qual afirmou que o projeto “somente estaria acontecendo em razão da ajuda dele”; nove dias depois, na véspera da primeira prisão de Vorcaro, escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”. O ministro André Mendonça, do STF, derrubou o sigilo da investigação.