Perícia recusa mais de 15 aparelhos ligados à produtora de “Dark Horse” por falhas em lacres
13 Sep, 2026
Jim Cavaziel nos bastidores de Dark Horse. Foto: Reprodução Peritos do Instituto de Criminalística de São Paulo recusaram mais de 15 celulares, notebooks e pen drives apreendidos em endereços ligados a Karina da Gama, dona da produtora da cinebiografia “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A perícia apontou falhas nos lacres que poderiam permitir acesso aos dispositivos e manipulação de dados. Os aparelhos chegaram lacrados separadamente e com os selos aparentemente inviolados, mas a perita identificou um vão nos pacotes. A abertura permitiria a passagem de um cabo USB, capaz de alimentar os equipamentos ou realizar transferência de arquivos sem romper o lacre. Em pelo menos 13 itens, o documento pericial registrou de forma explícita o risco para o conteúdo armazenado. “Apresentam vão suficiente para entrada de cabo de alimentação e transferência de dados, sendo possível a manipulação dos dados no interior dos aparelhos”, anotou a perícia. A Polícia Civil recolheu novamente os dispositivos e determinou a troca dos lacres para preservar a cadeia de custódia. A medida ocorreu sete dias após a apreensão; depois da nova lacração, os materiais deveriam retornar ao Instituto de Criminalística para análise. Karina Ferreira da Gama, produtora do filme “Dark Horse”. Foto: Reprodução Investigação alcança empresas ligadas a Karina da Gama Dois celulares recolhidos em endereços diretamente ligados a Karina estão entre os equipamentos recusados. Os demais itens vieram de empresas que prestavam serviços a entidades fundadas pela empresária. A investigação da Polícia Civil paulista suspeita que essas empresas tenham ajudado a simular contratos e fraudar notas fiscais. O caso também envolve o envio de emendas parlamentares por deputados do PL para uma rede de empresas ligada a Karina e à produtora de “Dark Horse”. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, levantou o sigilo de parte do material da investigação no domingo (13). Nos autos, a Polícia Federal descreve uma rede de entidades e empresas sob suspeita de fraudes em contratos públicos e lavagem de dinheiro. A Polícia Federal citou movimentações que ultrapassam centenas de milhões de reais. Karina da Gama nega irregularidades em seus negócios e afirmou, em manifestação à colunista Mônica Bergamo na semana anterior, que sofre pressão e ameaças e que não tem crime a delatar.