Rock in Rio 2026: Chuva não apaga força feminina e consagra novo headliner
14 Sep, 2026
O Rock in Rio 2026 chegou ao fim com chuva, problemas técnicos e uma pergunta inevitável: quem conseguiu transformar o caos em espetáculo? No sétimo dia, a resposta veio de diferentes palcos. Afinal, Ivete Sangalo, Marina Sena, Halsey, Zara Larsson e Joelma sustentaram uma programação feminina potente. Além disso, o Twenty One Pilots encerrou a edição com uma apresentação que confirmou sua evolução depois de dez anos de relação com o Brasil. A chuva, porém, mudou o cenário. Com isso, o festival recebeu menos público que nas noites anteriores, embora a Cidade do Rock ainda mantivesse força. Chuva muda o clima, mas não segura as protagonistas Desde o início da programação, a chuva acompanhou praticamente todas as apresentações. Ainda assim, algumas artistas conseguiram criar momentos visualmente marcantes. Ivete Sangalo, por exemplo, chegou ao Palco Mundo para seu 20o show no festival. Dessa vez, apostou na latinidade como eixo do espetáculo A La Sangalo. Com figurino vermelho e uma entrada grandiosa, a baiana reafirmou uma relação histórica com o evento. “Sou latina, sou baiana, sou louca, sou o que eu quiser ser”, afirmou. Enquanto isso, Zara Larsson encerrou o Sunset tentando levar o verão sueco para uma noite completamente molhada. “Sei que está chovendo, mas vamos trazer o sol nesta noite”, disse a cantora. A plateia, por sua vez, respondeu com looks tropicais inspirados na estética da artista. Já Joelma fez sua estreia no Rock in Rio depois de mais de três décadas de carreira. Logo, a presença da paraense também funcionou como celebração de sua trajetória. Marina Sena enfrenta falha técnica e aposta nas raízes Marina Sena finalmente ganhou um show próprio no Rock in Rio. Antes, ela havia participado do festival como convidada e também esteve no The Town. Dessa vez, entretanto, a cantora mergulhou no próprio repertório. O conceito visual e musical partiu das raízes mineiras presentes em Coisas Naturais. Rabeca, violões, percussões e elementos artesanais ajudaram a construir essa atmosfera. Assim, Marina deixou Vício Inerente em segundo plano e valorizou novas canções. “Taiobeiras (Folha Grande)” e “Carta de Maria”, parceria com Rubel, entraram no repertório. A escolha reforçou a identidade que orienta sua fase atual. Apesar disso, o show enfrentou um problema que escapou do controle da artista. O som do Sunset apresentou volume e consistência inferiores aos dias anteriores. Zara e Joelma também sofreram com a questão. Portanto, a falha técnica acabou prejudicando justamente algumas das apresentações mais aguardadas do palco. Halsey resiste à adversidade e Twenty One Pilots amadurece Halsey chegou ao Palco Mundo após revelar uma infecção pesada no rosto e uma rotina intensa de medicamentos. Ainda assim, a cantora entregou uma apresentação agressiva e potente. Mais do que isso, apresentou uma versão especialmente roqueira de seu trabalho. A trajetória pessoal da artista também dá peso à apresentação. Halsey já falou publicamente sobre diferentes questões de saúde e experiências marcantes. No mesmo dia, Lolla Young fez sua estreia brasileira. No Palco Mundo, porém, encontrou um público menor e uma chuva insistente. A cantora inglesa levou ao palco uma performance teatral. Entretanto, a estética não escondeu a crueza presente em suas letras e na maneira como se apresenta. Por fim, o Twenty One Pilots assumiu a missão de fechar a edição. Tyler Joseph e Josh Dun chegaram ao encerramento com uma vantagem importante: dez anos de estrada no Brasil. Nesse intervalo, a dupla deixou de ocupar apenas o espaço do rap rock para conquistar status de atração principal. Embora tenha recebido o menor público entre os headliners desta edição, o grupo enfrentou uma Cidade do Rock ainda expressiva. A apresentação mostrou justamente essa maturidade. Afinal, o Twenty One Pilots já reúne repertório, experiência e recursos de palco suficientes para comandar uma multidão. A chuva, portanto, até mudou o tamanho da plateia. Contudo, não diminuiu o peso de uma banda que, depois de tantas passagens pelo país, finalmente chegou ao posto de headliner quase incontestável. É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino