LEDs permitem que arqueólogos vejam o passado sob uma nova luz

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15 Sep, 2026
Redação do Site Inovação Tecnológica - 15/09/2026 Visão multiespectral Um novo sistema de visão artificial multiespectral - capaz de enxergar em vários comprimentos de onda, além do visível - vai mudar o modo como os arqueólogos desvendam não apenas o passado da humanidade, mas até mesmo a história do planeta. Uma escavação arqueológica exige decisões irreversíveis: Uma vez removida uma camada, não é possível recolocá-la; basta uma decisão incorreta para que anos de história, ou toda uma perspectiva sobre uma época, sejam perdidas para sempre. E o problema é ainda mais complexo porque duas camadas no mesmo ambiente têm enorme probabilidade de serem quase idênticas. O novo sistema de visão multiespectral permite que os especialistas vejam o solo à sua frente com "outros olhos" - ou com capacidades que a visão humana não provê. Em vez de iluminar o local da escavação com luz branca comum, o sistema utiliza LEDs em 16 comprimentos de onda diferentes, variando do ultravioleta próximo, passando pela luz visível e indo até o infravermelho próximo. O resultado são imagens com detalhes inéditos, impossíveis de serem captados com câmeras comuns. O que acontece é que diferentes materiais absorvem e refletem esses comprimentos de onda de maneiras distintas. Dois depósitos que, a olho nu, parecem solo marrom ou preto bastante semelhantes podem se revelar bem diferentes quando observados em outra parte do espectro eletromagnético. "Queríamos tornar as coisas mais rápidas, claras e melhores em campo - e a um custo que faça sentido para a arqueologia. Uma maneira de fazer isso é simplesmente repensar a luz," disse o professor Soren Kristiansen, que desenvolveu o sistema com colegas da Universidade Aarhus e do museu Moesgaard, na Dinamarca. Arqueologia multiespectral Os pesquisadores testaram o primeiro protótipo em um sítio arqueológico da Idade do Ferro, rico em vestígios, com mais de um metro de depósitos culturais escuros criados por séculos de atividade humana. Para a arqueologia, essa riqueza traz um problema: Muitas das camadas são finas, irregulares e muito semelhantes em cor, dificultando a determinação exata de onde um depósito termina e outro começa. O sistema de imagem multiespectral por LED fotografou a mesma seção repetidamente, iluminando-a com os 16 comprimentos de onda diferentes. As imagens resultantes foram então analisadas usando métodos estatísticos que combinam as informações espectrais e realçam as diferenças entre os materiais. Surgiram diferenças que seriam praticamente impossíveis de distinguir em fotografias coloridas comuns e, menos ainda, em uma análise rápida de campo. Por exemplo, quando iluminados com luz ultravioleta, pequenos fragmentos de ossos fluoresceram e tornaram-se mais fáceis de distinguir no meio do solo. Na verdade, mesmo estando apenas em teste, o sistema já revelou detalhes que podem representar uma antiga superfície do solo e, portanto, uma interrupção na atividade no sítio. Os pesquisadores ressaltam que a interpretação ainda precisa ser confirmada, mas ilustra o que o sistema pode fazer: Apontar para o arqueólogo diferenças que poderiam passar despercebidas. Isso é importante porque o solo arqueológico raramente se assemelha a uma pilha organizada de panquecas. As pessoas cavam buracos, os preenchem novamente, movem o solo e constroem sobre atividades anteriores. Objetos encontrados em camadas aparentemente separadas podem, portanto, ser contemporâneos, enquanto depósitos vizinhos podem representar eventos muito diferentes. Visualizar essas diferenças com mais clareza pode aprimorar tanto a documentação quanto as decisões sobre onde coletar amostras para datação e outras análises.