EXA desembarca na Itália (com uma carona da TIM Brasil)

admin
23 Oct, 2026
“Attenzione! Virus rilevato.” A EXA – a empresa de cybersecurity da FS, a holding de Alberto Leite – está desembarcando na Itália para iniciar uma expansão pela Europa, um movimento com o potencial de dobrar o tamanho da operação em três anos. O modelo da expansão já é bem conhecido: a EXA chega à Itália numa parceria com a Telecom Italia, a controladora da TIM Brasil (que é dona de 25% da EXA). A ideia é replicar na Itália o modelo B2B2C que a fez ganhar escala no Brasil: em vez de vender seus produtos diretamente aos consumidores, a companhia usa os canais das operadoras para distribuir serviços como antivírus, VPNs e proteção contra golpes digitais. Gustavo Castro, o CEO da FS, disse ao Brazil Journal que o objetivo inicial da companhia é levar seus produtos a 4 milhões de clientes já no primeiro ano. A Telecom Italia possui 30 milhões de clientes. A TIM foi fundamental para o crescimento da EXA: criada em 2022, a companhia espera faturar mais de R$ 500 milhões em 2026, mantendo um crescimento superior a 30% ao ano. “Boa parte desse crescimento foi impulsionada pela parceria com a TIM e acreditamos que dá para repetir a receita na Itália,” disse Gustavo. Mas a ambição vai além da Itália. A EXA quer usar o mercado italiano como porta de entrada para outros países europeus e acredita que, em três anos, sua operação no continente poderá ter o mesmo tamanho da brasileira. A companhia já montou um escritório em Milão e colocou a expansão internacional sob a responsabilidade de Renato Ciuchini, ex-diretor de marketing e estratégia da TIM, que já trabalhou na Itália e conhece o mercado. “Em três anos, a operação na Europa como um todo pode ser do mesmo tamanho da operação brasileira,” disse Gustavo. Por lá, a companhia pretende começar oferecendo produtos de prevenção a ataques cibernéticos, como antivírus, VPNs, ferramentas de localização e bloqueio de aplicativos. Em uma segunda etapa, a ideia é levar a Eva – sua agente de inteligência artificial que ajuda consumidores a identificar golpes – e produtos de seguros. A expansão internacional aparece como a principal aposta para a empresa manter o ritmo de expansão de 30% ao ano. Além da internacionalização, a companhia também enxerga duas alavancas de crescimento: distribuição em novos setores e ampliação do portfólio. Em relação à distribuição, já conquistou clientes como Bradesco, UOL e Fast Shop. Na área de novos produtos, a maior aposta é a venda de seguros. Há um ano, a EXA começou a vender seguros de celulares em parceria com a Zurich, que assume os riscos das apólices, enquanto a EXA fica responsável pela distribuição. A expectativa é encerrar 2026 com uma carteira de R$ 80 milhões, mais que o dobro do inicialmente previsto. Segundo o CEO, a empresa prepara seguros contra golpes digitais e garantia estendida. Além disso, a EXA estuda entrar no crédito consignado em 2027, apostando numa contratação totalmente digital para eliminar intermediários e reduzir custos de distribuição. A expansão faz parte de uma estratégia desenhada por Gustavo Castro, que conheceu Alberto Leite em 2019, num programa de mentoria da Fundação Estudar, quando estudava em Berkeley. Alberto havia vendido o controle da FS ao Carlyle em 2016, mas recomprou a empresa em 2020, transformando-a numa holding de investimentos em tecnologia e telecomunicações. Depois de se tornar sócio da Núcleo Capital, entrou na EXA como CFO em 2025 – aos 27 anos de idade – e passou a assumir responsabilidades na holding FS. Neste ano, ele se tornou CEO. Além da EXA, a FS tem investimentos na ATIS, empresa de infraestrutura com mais de mil torres de telecomunicações na Argentina, no Paraguai e no Uruguai, e também atua em geração distribuída de energia. A receita consolidada do grupo deve superar R$ 1,5 bilhão neste ano. Outra aposta da FS são três projetos de data centers no Nordeste. As obras ainda não começaram: a FS aguardava definições regulatórias, mas retomou as discussões após o REDATA.