Portas abertas: MEIs alcançam recorde de permanência no mercado
26 Oct, 2026
Há uma boa notícia por trás dos números do empreendedorismo brasileiro. Sem dúvida, abrir um pequeno negócio é um passo importante para quem busca autonomia financeira. Mas mantê-lo funcionando por anos é uma conquista ainda maior. E os microempreendedores individuais (MEIs) estão mostrando que é possível superar esse desafio. Segundo a pesquisa Perfil do MEI e da MPE, realizada pelo Sebrae, 92% dos MEIs estão em atividade — o maior percentual da série histórica e 20 pontos percentuais acima do registrado em 2019. Quase metade (44%) atua há mais de cinco anos, enquanto 19% já ultrapassaram uma década no mercado — outro recorde da série. Entre os mais de 14 mil pequenos negócios ouvidos em todas as regiões do país, 97% continuam em atividade. Mais de um terço (34%) está no mercado há mais de dez anos. Os dados do Sebrae mostram que houve um avanço importante: em 2019, 72% dos MEIs estavam em atividade; agora, são 92%. A parcela fora de operação caiu de 28% para 8%. Esses percentuais retratam a situação dos negócios nos levantamentos evidenciam a evolução do indicador. Por trás desses números, existem histórias de quem precisou aprender a controlar custos, negociar com fornecedores, conquistar clientes e administrar o dinheiro. Empreender exige coragem para começar; mas permanecer demanda planejamento, conhecimento e capacidade de adaptação. A longevidade dos pequenos negócios começa a ganhar espaço como indicador tão importante quanto a abertura de novas empresas. Afinal, comemorar novos CNPJs é necessário, mas saber quantos permanecem ativos ajuda a dimensionar a força do empreendedorismo. Nesse cenário, entrou em vigor a Lei Complementar 186/2026. A proposta prevê elevar o limite anual de faturamento do MEI dos atuais R$ 81 mil por ano para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. A nova lei também permite a contratação de até dois empregados e concede perdão de dívidas tributárias com a União, conforme as condições previstas. A medida pode ajudar empreendedores a reorganizar as finanças e retomar investimentos, embora a sobrevivência dos negócios também dependa de crédito acessível, qualificação, orientação contábil e menos burocracia. O sucesso de um MEI não se mede apenas pelo CNPJ recém-aberto, mas pela capacidade de pagar as contas, manter clientes, gerar renda e enfrentar as dificuldades. O Brasil precisa de mais pessoas empreendendo, mas também precisa oferecer condições para que elas permaneçam no mercado. Cada pequeno negócio que resiste representa trabalho, sustento familiar, circulação de renda e desenvolvimento local. Abrir as portas é o primeiro passo; mantê-las abertas ano após ano é a conquista que merece ser celebrada.