Palanque do 2º turno projeta novas forças no ministério de Lula
27 Oct, 2026
Resumo Do alto do carro de som na avenida Paulista, no domingo, o presidente Lula (PL) fez questão de homenagear quatro pessoas que agora despontam como favoritas para postos-chave em seu novo governo: Camilo Santana (PT-CE), Rafael Fonteles (PT-PI), André Janones (Rede-MG) e Geraldo Alckmin (PSB-SP). O senador Camilo Santana e o governador do Piauí, Rafael Fonteles, foram chamados às pressas para salvar a campanha de Lula no segundo turno. Oficialmente, o comando estava nas mãos do presidente do PT, Edinho Silva (SP), que nem sequer foi citado por Lula no discurso. Outro coordenador que sumiu nas sombras foi o senador eleito Rui Costa, da Bahia, que, embora anunciado no final do primeiro turno, não assumiu uma posição efetiva de comando. Camilo tem sido cotado para assumir a Casa Civil no próximo governo —cargo que já pertenceu a Rui Costa. Como segunda opção, pode ser destacado para as Relações Institucionais. Já Fonteles, que se tornou o queridinho de Lula, é ventilado para o Ministério da Fazenda, antes ocupado por Fernando Haddad. O ex-ministro saiu da campanha de Lula um pouco mais apagado do que no primeiro turno, quando foi derrotado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O UOL apurou que, nos últimos 20 dias, os nomes mais próximos de Lula foram Camilo e Fonteles, ao lado do advogado Marco Aurélio de Carvalho, que coordenou a campanha em São Paulo e articulou a estratégia jurídico-política do candidato petista. Nessa estratégia, atuou também o advogado-geral da União, Jorge Messias. Chamado de "general" por Lula, o deputado federal André Janones comandou, de fora da campanha oficial, um "exército" de 10,7 milhões de militantes, que seguiam suas ordens sob o chamamento de "pessoal, urgente!". O parlamentar mineiro foi homenageado por Lula nos dois discursos da vitória no domingo. Seu futuro ainda é incerto, mas o reconhecimento do presidente pode alçá-lo a um cargo de direção na política de comunicação digital do governo, esvaziando um pouco do poder do atual ministro da Secom, Sidônio Palmeira. Sidônio ficou sob fogo cerrado e amigo durante todo o segundo turno. No palanque, Lula disse ter aprendido com a eleição que é preciso mudar e melhorar a comunicação digital, que fica sob sua batuta. Sidônio, que estava no QG de Lula em um hotel de São Paulo, não compareceu ao palanque da festa na Paulista. Com 11 milhões de votos a mais no segundo turno, Lula subiu ao palanque cercado por um grupo de aliados bem diferente daquele que esteve ao seu lado no resultado do primeiro turno. Jovens parlamentares ocuparam a primeira fila na foto da vitória, como o presidente do PSB e ex-prefeito do Recife, João Campos; a deputada Tabata Amaral (PSB-SP), criadora do programa Pé-de-Meia; a senadora eleita Marília Arraes (PDT-PE); os deputados eleitos Guilherme Cortez (PSL-SP), Rosa Amorim (PT-PE), Maria Marighella (PT-BA) e Ana Júlia Ribeiro (PT-PR); além das reeleitas Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Dandara (PT-MG). Ganhou protagonismo também a deputada Erika Hilton (PSOL-SP), principal voz na defesa do fim da escala 6x1. Como Lula acenou para mudanças e agradeceu o protagonismo da juventude em sua campanha, é natural que os olhos se voltem para novos cargos para esses jovens no próximo governo. Um dos nomes fortes é o de João Campos, mas essa é uma equação mais difícil: o PSB é um partido relativamente pequeno e o vice-presidente, Alckmin, terá papel de destaque no governo, já que Lula o considera essencial e de extrema confiança. Além disso, o partido já tem um ministro, Paulo Pereira (SP), que ocupa a pasta do Empreendedorismo e participou ativamente de todo o segundo turno. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.