Globoplay encarece plano básico e inclui canais pagos para atrair público

admin
27 Oct, 2026
Globoplay encarece plano básico e inclui canais pagos para atrair público Resumo O Globoplay fez uma mudança seus planos de assinatura na segunda-feira (26). Mas o que está por trás dessa readequação do streaming da Globo? Antes, o que muda: a partir de ontem, a plataforma deixou de usar o conteúdo disponível para diferenciar suas ofertas e passa a fazê-lo pelos recursos oferecidos. Em termos práticos, o plano com anúncios tem agora a resolução limitada a Full HD e passa a dar acesso a mais de 20 canais ao vivo — incluindo Sportv, Globonews e Multishow — que antes estavam restritos ao Premium. Já este último passa a ser o único com resolução 4K, possibilidade de download de vídeos e, claro, segue sem publicidade nos catálogos sob demanda. A reformulação também vem acompanhada de uma mudança de preços. A assinatura mais barata, no plano anual, passa de R$ 16,90 para R$ 19,90 por mês, um aumento de 17,8%. No Premium, o valor sobe de R$ 22,90 para R$ 24,90 mensais, uma alta de 8,7%. O combo com o futebol do Premiere agora sai por 12 parcelas de R$ 39,90 no plano anual, uma redução de R$ 9 por mês (-18,4%). A migração da atual base de usuários será gradual, afirma a companhia. Já a versão gratuita, que permite o acesso ao sinal aberto da TV Globo e e a alguns canais Fast como a GE TV, segue inalterada. "Isso vai incrementar o plano de entrada com mais de 2.500 jogos e eventos ao vivo por ano. É o maior portfólio de esportes do mercado, que ficará disponível também para quem está no plano de entrada", diz Julia Rueff, diretora executiva de plataformas digitais da Globo. "Passa a ter o Brasileirão, tudo o que temos de Libertadores, Copa do Brasil, Copa do Mundo, Copa Feminina, Fórmula 1, Olimpíadas, WSL, Superliga e todos os demais direitos que temos, além do Multishow, com nossos shows ao vivo, e dos outros canais." A executiva resume: "Esse conteúdo, que já estava disponível no Premium, passa a ficar disponível também no pacote de entrada". A segunda guerra do streaming Julia Rueff explica que a mudança ocorre por uma "obsessão pela experiência do usuário", e que isso "gera valor para o negócio e para os assinantes". "Quanto mais satisfeitos com o produto estiverem, mais retroalimentamos esse ambiente de negócios, tanto do próprio Globoplay quanto dos anunciantes. Essa é a motivação", afirma. No fim de tudo, observa a diretora, o objetivo é aumentar as vendas, especialmente do pacote de entrada — fazendo com que "os usuários sejam ainda mais engajados do que já são, pela quantidade de conteúdos aos quais passam a ter acesso, e que isso se reflita em negócios de publicidade." Quanto melhor para o usuário, mais relevante o produto se torna e mais atrativo ele é para os anunciantes. Entendemos que esses seriam os principais indicadores de sucesso. Mais assinantes, mais engajados, que fomentem também o mercado anunciante. Julia Rueff, diretora executiva de plataformas digitais da Globo A readequação aproxima o modelo de comercialização do Globoplay daquele adotado por concorrentes como a Netflix, que diferenciam seus planos principalmente pelos recursos oferecidos — como resolução, número de telas simultâneas e presença ou não de anúncios. A diferença é que o Globoplay também reúne os tradicionais canais pagos da Globo, que abrangem jornalismo, esportes e entretenimento. Ao levá-los para todos os assinantes, a expectativa é que isso ajude a aumentar o tempo médio e o engajamento dos espectadores na plataforma. Isso é muito importante dentro da nova realidade das plataformas de streaming, em que a rentabilidade não vem mais apenas das assinaturas, mas também do tempo em que o usuário passa em frente à tela — e é eventualmente impactado pela publicidade. É o que esta coluna tem chamado de "segunda guerra do streaming". "De maneira geral, o conteúdo linear é um conteúdo de frequência. O jornalismo é um conteúdo de frequência. O esporte também. Acompanhar um campeonato é frequência", explica a executiva. "São conteúdos que têm um valor de engajamento muito grande, que fazem com que as pessoas queiram assistir com frequência. E, para o negócio, trazer frequência gera mais negócio." "Isso vai reforçar uma performance que estamos encontrando muito positiva. Para você ter uma ideia, estamos crescendo 31% na base de assinantes, de janeiro a agosto, em comparação com o mesmo período do ano passado", comenta Julia. "Crescemos 18% em consumo e já atingimos 3,9 bilhões de horas." Ainda de acordo com a diretora, o serviço conta com mais de 30 milhões de pessoas todos os meses, passando mais de duas horas por dia dentro do serviço. "Mais de 74% dos nossos usuários frequentam a plataforma mais de quatro vezes por semana", revela. Um retorno aos canais A novidade também acontece em um contexto mais amplo: os Canais Globo — ainda chamados de Canais Globosat — nasceram originalmente na TV por assinatura, um modelo de negócio que vem caindo desde seu apogeu. Em 2014, eram quase 20 milhões de acessos, de acordo com a Anatel. Em agosto de 2026, restavam 5,8 milhões, segundo dados da agência compilados pela Teleco. O número esconde aqueles que migraram para a modalidade OTT (over-the-top, via internet), como Claro TV+ e Sky+, mas inegavelmente esse é um mercado muito menor em 2026. A necessidade de ampliar a distribuição também aparece na concorrência. Em setembro, a CNN Brasil ultrapassou a GloboNews em alcance mensal, com 11,8 milhões de espectadores contra 11,6 milhões, segundo o Ibope, embora a emissora da Globo continue líder em audiência média. A CNN já está presente em plataformas gratuitas de TVs conectadas, enquanto a rival permanece restrita a serviços pagos. Ao incluí-la no pacote mais barato do Globoplay, a Globo amplia seu alcance potencial. Mas esse interesse renovado pela programação linear não é exclusivo do grupo brasileiro. Nos últimos tempos, os grandes streamings globais estão começando a voltar sua atenção para esses "velhos canais", principalmente porque aumentam o tempo médio do espectador e ampliam as possibilidades de veiculação de propagandas — inclusive para quem paga os planos mais caros, já que a ausência de interrupções ocorre apenas nos títulos sob demanda. No linear, todos veem anúncios. Na França, por exemplo, a Netflix firmou uma parceria para ter o sinal da TF1. Na última conferência com investidores, a companhia exaltou a experiência — e deixou aberta a possibilidade de agregar outras emissoras lineares, ou até mesmo serviços concorrentes. Isso em um momento em que a pioneira do streaming por assinatura enfrenta problemas justamente com a falta de engajamento, que cresceu apenas 2% no primeiro semestre deste ano, apesar do aumento da base de assinantes e do faturamento com anúncios. Já de acordo com uma reportagem da Bloomberg, publicada neste fim de semana, o cliente médio da Netflix abre o aplicativo em menos dias do mês do que há alguns anos e passa menos tempo assistindo. Justamente por isso — e tendo em vista o recente acordo de licenciamento de conteúdo firmado entre as duas empresas —, fica a pergunta: existe a chance de, no futuro, vermos o catálogo do streaming da Globo sendo vendido como um pacote adicional da Netflix? "Nossa estratégia está centrada na forma como temos trabalhado: o Globoplay como um serviço independente, com muitas parcerias", responde a diretora. "Por enquanto, a estratégia segue sendo exatamente a mesma. Isso não significa que outros negócios não possam ser distribuídos em diferentes plataformas". De acordo com a executiva, continuará a comercialização via Prime Video dos Canais Globo (por R$ 29,90), Telecine (R$ 29,90) e Premiere (R$ 59,90). Também não muda, afirma a diretora, a estratégia geral de conteúdo do Globoplay, incluindo os originais, que são disponibilizados junto com as outras produções do grupo. "São histórias brasileiras, feitas por brasileiros para brasileiros. Ninguém entende mais de nós do que nós mesmos", exalta. A mensagem geral, nas entrelinhas: o objetivo não é mais apenas vender filmes, séries e novelas por uma assinatura mensal. É o de conquistar a sua atenção. Essa é a atual disputa entre Globo, Netflix, Amazon, Disney e Skydance. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.