Recife se consolida como o novo motor do Minha Casa, Minha Vida e lança desafio regulatório à RMR

admin
27 Oct, 2026
Clique aqui e escute a matéria O mercado imobiliário da Região Metropolitana do Recife (RMR) consolidou uma transformação estrutural no terceiro trimestre de 2026. Impulsionado por incentivos da política habitacional estadual e municipal, a capital pernambucana centralizou os investimentos do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) na região. Esse movimento expôs uma disparidade regulatória em relação às cidades vizinhas, lançando um alerta direto às gestões municipais da RMR. Os alertas estão respaldados na nova pesquisa apresentada pela Ademi-PE e Brain Inteligência Estratégica sobre os resultados do mercado imobiliário da RMR no terceiro trimestre de 2026. No período, o Recife registrou um salto de 83% no número de empreendimentos lançados em comparação ao mesmo período de 2025, enquanto a RMR teve uma queda de 33%. Historicamente focado em poucos bairros tradicionais da Zona Sul e Zona Norte, o mercado imobiliário do Recife agora se expande para diversas regiões antes desatendidas. "A política habitacional tanto do governo estadual quanto do governo municipal proporcionou que empreendimentos fossem lançados nesses bairros. Então a gente já vê hoje uma cidade muito mais descentralizada", diz o presidente da Ademi-PE, Leonardo Pessoa de Queiroz. Por outro lado, o ritmo acelerado de adequação do Recife em contraste com a lentidão dos demais municípios da RMR acendeu um sinal vermelho para a atração de investimentos na região. O relatório faz uma provocação aos agentes do mercado e gestores públicos. "Se a legislação municipal da região metropolitana não se modernizar, vai se perder a atividade econômica, né? Vão ser empregos que vão ser transferidos pra Recife, moradias que vão ser transferidas para a capital. Recife fez a parte dela. Se eles não fizerem também, vai haver uma migração muito forte", alerta Leonardo. Em volume de unidades habitacionais lançadas no trimestre, o Recife cresceu 45%, alcançando 2.337 unidades. No acumulado de 12 meses, a capital saltou de 6.800 para 9.441 unidades lançadas. Quando se observa apenas o segmento econômico (MCMV), o ritmo no Recife no acumulado em 12 meses registrou um crescimento de 174%, passando de 2.232 unidades para 6.119 unidades lançadas. As unidades do Minha Casa, Minha Vida representaram 73,9% do total lançado no trimestre. Os imóveis compactos responderam por 20,4%, enquanto o médio padrão caiu para 4,7%. Os apartamentos de dois dormitórios dominaram 74% dos lançamentos no trimestre. Desempenho de vendas e VGV A performance de vendas no Recife acompanhou a forte oferta. A capital registrou um aumento de 44% nas vendas no 3T26 frente ao 3T25, comercializando 2.481 unidades. O grande motor dessas vendas foi o MCMV, cujas comercializações no Recife dispararam 138% no trimestre (1.471 unidades vendidas) e 74% no acumulado de 12 meses (atingindo 4.226 unidades). Na RMR, as vendas de MCMV mantiveram-se estáveis no patamar de 5.200 unidades no acumulado de 12 meses. No 3T26, o Recife movimentou R$ 880 milhões em VGV lançado (-29% em relação ao 3T25, devido à maior participação de unidades econômicas de menor ticket médio). Já a RMR somou R$ 774 milhões em VGV lançado no trimestre. No acumulado de 12 meses, o VGV vendido no Recife cresceu 12%, atingindo R$ 4,7 bilhões, superando a RMR, que movimentou R$ 3,2 bilhões. O estoque imobiliário do Recife cresceu 9%, alcançando 6.348 unidades, o que é considerado um patamar saudável devido ao alto ritmo de absorção pelas vendas. Cerca de dois terços de todo o estoque da capital e da RMR foram lançados entre 2025 e 2026. A velocidade média de vendas estabilizou-se entre 25% e 26%, sendo puxada pelas metragens menores (até 50 m². O preço médio geral do metro quadrado subiu 4,3%, situando-se entre R$ 11.800 e R$ 11.900. No mapa da capital, os lançamentos continuam concentrados fora da orla de Boa Viagem, que concentrou 2,6% dos novos empreendimentos. Os bairros com maior concentração de lançamentos foram Imbiribeira (26,4%), Iputinga (23,1%), Várzea (21,7%) e São José (15,8%). Nas vendas, a liderança ficou com a Iputinga (35,1%) e a Imbiribeira (24,7%).